Um jovem em busca da excelência do trabalho no campo

Ao lado da família, Vinícius Bortolozzo trabalha com frutas
e gado na propriedade localizada no interior de Antonio Prado

 

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No campo, Vinícius com o rebanho Polled Hereford. (Fotos: Larissa Verdi)

Uma combinação perfeita entre belas paisagens, amor ao trabalho no campo e a continuação do legado iniciado pelos avós. Vinícius Bortolozzo, 25 anos, trabalha na propriedade da família, no interior de Antônio Prado, junto aos pais Gilberto Bortolozzo e Nilvana Ravanello Bortolozzo e o irmão mais novo, Leonardo, 19 anos. A visita feita pelo jornal A Vindima foi guiada por Vinícius. Nem a chuva e o mal tempo foram empecilhos para que o jovem contasse a história da família e os processos do trabalho na propriedade.
A família Bortolozzo é natural de Ipê e tem por tradição o cultivo de frutas. Gilberto, pai de Vinícius, é sócio-fundador da empresa Frutas Bortolozzo e Ravanello. O negócio iniciou há mais de 30 anos em pequena escala, com pomares na comunidade São Valentin, no interior de Ipê. O negócio cresceu e se expandiu a partir da sociedade feita com Ademar Antônio Ravanello. Logo, a aposta tornou-se uma empresa e hoje conta com mais de 15 funcionários fixos, além de diaristas em períodos de safra.

Atualmente, a empresa mantém cerca de 50 hectares de pomares e realiza todo o processo de armazenagem, classificação e embalagem até chegar ao mercado consumidor. Em épocas de grande procura é preciso comprar frutas de terceiros para suprir a demanda. Maçã, pêssego, ameixa e caqui são as frutas cultivadas pela família, sendo que metade da produção é de maçã. “Tudo passa pelo campo. Hoje, com um mercado cada vez mais competitivo e exigente, é preciso apostar e investir sempre mais em qualidade e tecnologia”, destaca Vinícius.

O jovem é engenheiro agrônomo com especialização em fruticultura, estágio que fez em Bologna, na Itália, durante oito meses. O irmão Leonardo está cursando Administração de Empresas. Uma geração preparada para continuar os trabalhos iniciados pela família. “Sem dúvida, eu não sofri o que a geração do meu pai e meu tio passaram. Eles iniciaram um negócio com poucas condições e muitos riscos. Hoje conseguimos ter melhor controle da produção e aplicar nossos estudos na propriedade”, enfatiza o jovem.

 

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Os irmãos Leonardo e Vinícius na empresa da família.

Além das frutas
Aproveitando as áreas de terras improdutivas, e podendo investir em outra alternativa, há alguns anos a família começou a investir em gado, mais especificamente em genética de corte. Vinícius não esconde que esta é sua realização, gosto que herdou do avô materno. “Sempre gostei de lidar com gado. Assim que sobrei um dinheiro comprei alguns animais da minha avó, ela cedeu parte da terra e assim começou a criação e a ampliação dos negócios”, relata.

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Nos pomares, os pessegueiros começam a florescer.

Atualmente, são em torno de 70 hectares de terra destinados aos cerca de 60 animais. O trabalho é realizado com as raças Aberdeen Angus, Red Angus e Polled Hereford, matrizes europeias com genética apurada. A criação é desenvolvida objetivando a venda de reprodutores e matrizes.
A tecnologia, assim como na agricultura, é indispensável para o trabalho com o gado. Vinícius tem o auxílio dos veterinários da Cooperativa Agropecuária Pradense, Elmir Toazza e Luciana Scopel, que acompanham de perto cada animal. “O avanço tecnológico e pesquisas na área contribuíram muito para o nosso trabalho. Hoje a tecnologia está presente no campo tanto quanto na cidade”, defende.
Todo o rebanho recebe suplementação mineral, que é fornecida aos animais desde o nascimento e específica em cada fase de desenvolvimento, além de um manejo que preza pela utilização de técnicas de condução racional. “As raças possibilitam um trabalho mais tranquilo e hoje consigo fazer até processos de vacinação sozinho”, conta. E cada nascimento é uma grande conquista. Com planejamento e dedicação o retorno se dá em satisfação pelos resultados obtidos.

O jovem alia os conhecimentos na lida com a terra e faz experimentos para melhorar a qualidade da pastagem, o que reflete diretamente na qualidade do rebanho. Na propriedade é aplicado o chamado melhoramento de pastagem, técnica muito utilizada no Uruguai, onde é realizado a introdução de espécies forrageiras de inverno diretamente no campo nativo, propiciando assim boa qualidade de alimento para os animais em períodos críticos do ano.

Em meio aos pomares ou ao gado uma coisa é visível: o jovem Vinícius sabe o que quer da vida: trabalhar no campo, lindando com o gado e com a fruticultura.

 

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Funcionários da Bortolozzo e Ravanello na seleção da maçã.

 

Por Larissa Verdi
larissa@editoranovociclo.com.br