Podando macieiras no sistema Tall Spindle

Com o inverno chegou também a época de podarmos as plantas frutíferas. Espécies como a macieira precisam de poda para equilibrar o crescimento vegetativo e a produção, portanto plantas bem podadas tendem a ser mais produtivas e com produção constante ao longo dos anos. Existem vários conceitos que norteiam a poda e estão fundamentados na fisiologia das plantas, ou seja, no modo como as plantas irão responder a esse manejo.

Ao longo da vida útil de um pomar, existem necessidades diferentes em termos de poda. Nos primeiros anos, a poda de formação , como o próprio nome diz, serve para dar às plantas a forma que desejamos: seja taça, Y, líder central, Tall Spindle ou outro sistema de condução. Depois que as plantas tiverem a estrutura desejada, inicia-se então a poda de frutificação, ou seja, a poda realizada quando o pomar já entrou em produção e serve para favorecer a formação de frutos.Não existe uma receita única para se realizar a poda das macieiras, mas existem orientações que podem auxiliar o produtor neste momento. Com a dificuldade na disponibilidade de mão de obra, otimizar a poda é uma boa recomendação. Nesse sentido, sistemas de condução que exijam menor uso de mão de obra são bem vindos.

Figura 1. Macieiras conduzidas no sistema ‘Tall Spindle’.

Figura 1. Macieiras conduzidas no sistema ‘Tall Spindle’.

O ‘Tall Spindle’ (Figura 1) é um sistema de condução que torna as plantas produtivas em menor tempo. Ao fazer com que as plantas produzam mais cedo, reduz-se a poda durante os quatro primeiros anos, período no qual não devem ser feitos cortes no líder central nem nos ramos laterais. Devem ser retirados apenas os ramos que tiverem diâmetro maior do que 2/3 do diâmetro do líder central. O mais importante durante esses anos iniciais do pomar é formar um ângulo adequado dos ramos, fazendo o arqueamento para reduzir seu vigor (Figura 2).

 

 

Figura 2. Arqueamento de ramos em planta jovem com uso de fitilhos

Figura 2. Arqueamento de ramos em planta jovem com uso de fitilhos

Para pomares em produção conduzidos em Tall Spindle, a recomendação é iniciar tirando de uma a dois ramos inteiros no topo da planta. A retirada dos ramos inteiros promove uma boa distribuição de luz no interior da copa, sem tornar as plantas vigorosas. Estes ramos devem ser cortados em ângulo, ficando uma pequena parte de lenho, da qual vai se desenvolver um novo ramo (Figura 3).

 

 

 

 

 

 

Figura 3. Detalhe do corte em ângulo deixando uma porção de lenho para a brotação de um novo ramo menos vigoroso.  A seta vermelha o corte realizado e a seta branca indica o novo ramo formado.

Figura 3. Detalhe do corte em ângulo deixando uma porção de lenho para a brotação de um novo ramo menos vigoroso. A seta vermelha o corte realizado e a seta branca indica o novo ramo formado.

Por outro lado, o encurtamento de ramos permanentes e “cortes de retorno” tendem a tornar as plantas mais vigorosas com relação à poda de renovação, pois essas práticas estimulam o vigor localizado nos ramos cortados, resultando em sombreamento na parte mais baixa da copa.

Os ramos que estiverem na horizontal ou pendentes pelo peso da produção, podem ser encurtados ou simplificados. O arqueamento natural dos ramos, em função do peso da produção, pode ser usado na parte alta de plantas vigorosas para limitar a altura das plantas. Alguns produtores querem limitar a altura da planta pelo corte do líder central ou em brotações que estão na posição vertical, o que vai resultar em novo crescimento vigoroso.

Se a brotação lateral ou o ramo forem colocados na horizontal natural ou propositalmente, eles terão boa produção no ano seguinte. Se o topo da planta for produtivo e o líder estiver pendente pelo peso da produção, ele poderá ser encurtado em um ramo fraco lateral sem estimular o vigor de brotação.
Resumindo, em pomares de macieira, altas produções e boa qualidade de frutos podem ser conseguidos mantendo o formato limitado da planta, equilibrando produção e crescimento vegetativo. O uso de poda mínima, com renovação de ramos, e porta enxertos pouco vigorosos permite limitar o crescimento vegetativo e manter a produção satisfatória ao longo dos anos.

Artigo assinado pela pesquisadora: Andrea De Rossi Rufato, da Embrapa Uva e Vinho