Cultivo em substrato e seus benefícios

Alternativa pode servir também para enfrentar problemas de pragas e doenças relacionadas ao sistema radicular de algumas plantas

DIVULGAÇÃO

Substrato deve conferir características químicas, físicas e biológicas adequadas às plantas, servindo como suporte físico para as raízes e fornecendo o mínimo possível de nutrientes

Tendo como principais funções o suporte físico das raízes, servindo como um reservatório de água, nutrientes e ar, além de trocas gasosas e residuais, o substrato utilizado para o cultivo de diversas plantas, como o morango, tomate, pimentão e pepino é uma opção agrícola que oferece benefícios interessantes como o incremento da produtividade; a qualidade e longevidade de produção, assim como a ergonomia positiva para quem lida diariamente com o trabalho, podendo contar com bancadas. Um cultivo que vem ganhando adeptos, e que oferece uma garantia de colheita, já que serve como uma alternativa para enfrentar alguns problemas de pragas e, principalmente, doenças relacionadas ao sistema radicular de algumas plantas, o substrato propicia o aproveitamento de áreas impróprias e um número maior de cultivos, pois não requer rotação.

De acordo com o engenheiro agrônomo e extensionista da Emater/RS-Ascar do município de Nova Petrópolis, Luciano Ilha, o cultivo em substrato é uma alternativa para os produtores que possuem áreas afetadas por pragas ou doenças, mas que não querem fazer uma rotação de culturas. “Na produção de diversas culturas como o morango e o tomate, por exemplo, as plantas são, muitas vezes, afetadas por pragas ou doenças do sistema radicular de difícil controle. Muitas vezes a recomendação técnica habitual nessas situações é a rotação de culturas, ou seja, produzir na área em questão outra cultura que não seja afetada pela praga ou doença em questão. Ou, de outra maneira, desejando o produtor continuar a plantar a mesma cultura, buscar outra área para cultivo, que não tenha ainda apresentado problemas.

Na prática, a maioria dos produtores que se dedica a produção de morango e das outras culturas citadas, especialmente se realizarem o cultivo em estufas, têm o desejo de continuar a produzir a mesma cultura na mesma área. Nesta situação, e diante do aparecimento de alguma praga ou doença crítica, na qual não existem outros meios de controle que permitam a continuidade do mesmo cultivo na mesma área, surge a alternativa do cultivo em substrato”, exemplifica o agrônomo.

No cultivo em substrato são utilizados recipientes como calhas, vasos ou sacos, das quais são preenchidos por substrato livre de contaminantes (pragas/doenças/plantas daninhas). “Geralmente são utilizados como substratos misturas que podem conter casca de arroz carbonizada, compostos orgânicos, fibra de coco, entre outros materiais, em proporções adequadas para conferir características químicas, físicas e biológicas adequadas”, ressalta Ilha. Na técnica habitual de cultivo em substrato, o material utilizado serve apenas como suporte físico para as plantas (raízes) e para a retenção de água. Por este motivo, o material deve ser o mais inerte possível quanto ao aspecto químico, devendo fornecer o mínimo possível de nutrientes.

Investimento
Por não fornecer nenhum alimento às plantas, o cultivo em substrato exige alguns requisitos para que não se torne um vilão da produção. O sistema exige irrigação e fertilização – fornecimento de toda a nutrição, ambiente protegido e um investimento inicial aliado ao conhecimento técnico do produtor. A qualidade do substrato também é fundamental. “Todos os nutrientes de que as plantas precisam são fornecidos via fertirrigação, em quantidade ótima para cada espécie e em alta frequência de aplicação, visando proporcionar um desenvolvimento excelente da cultura. Este tipo de cultivo exige bom conhecimento técnico por parte do produtor, mas, em contrapartida, permite maior controle dos fatores de produção”, complementa o extensionista Luciano Ilha.

Em geral, o investimento varia conforme a espécie cultivada e o tipo de estufa. “Uma estufa simples, de madeira, de 5 x 40 metros, para cultivo de duas mil plantas de morangueiro, incluindo estufa, sacolas, substrato, mudas e sistema completo de irrigação (gotejamento) tem um custo aproximado de R$ 15 mil”, adianta Ilha, que complementa: “Por envolver um custo de produção diferenciado, a viabilidade do sistema deve ser avaliada em cada situação, sendo que a técnica geralmente é aplicada no cultivo de produtos de alto valor e com diferenciação de qualidade, em uma situação em que a remuneração recebida pelos produtores seja compatível com as exigências técnicas e com o custo deste tipo de cultivo”, recomenda o agrônomo.

Onde encontrar
O substrato, materiais, mudas e insumos necessários para este modelo de cultivo podem ser encontrados em casas agrícolas de praticamente todas as cidades da Serra Gaúcha. As informações técnicas necessárias para o cultivo em substrato podem ser buscadas junto aos escritórios municipais da Emater.