Protetor deve ser companheiro do dia a dia

Por estarem expostos ao sol diariamente, agricultores precisam garantir uma pele saudável, evitando com isso o tumor mais comum entre esses trabalhadores – o câncer de pele

Portrait of a young woman with sun cream on face, eyes closed

Portrait of a young woman with sun cream on face, eyes closed

 

Camila Baggio – camila@avindima.com.br

Durante o verão aumentam as atividades realizadas ao ar livre. A radiação solar incide com mais intensidade sobre a Terra, aumentando o risco de queimaduras, câncer de pele e outros problemas. Para os agricultores, da qual a atividade ao ar livre acontece durante todo o ano e diariamente, a fotoproteção é fundamental para evitar doenças de pele e o temido câncer – o Instituto Nacional do Câncer (Inca) registra, a cada ano, 135 mil novos casos da doença. O carcinoma de pele responde por 25% de todos os diagnósticos de câncer no Brasil. O tipo mais comum, o não melanoma, tem letalidade baixa, mas os números alarmam os especialistas. No caso dos agricultores, a exposição contínua e prolongada aos raios ultravioletas (UV) vai agredindo a pele de forma lenta e cumulativa, causando mutações nas células a ponto de se tornarem cancerígenas.

A médica dermatologista Cimone Bonfanti atende na Rua Pinheiro Machado, 2659, sala 604 – 6º andar do Centro Comercial Cavour, no bairro São Pelegrino, em Caxias do Sul. O telefone é o (54) 3223.3426

A médica dermatologista Cimone Bonfanti atende na Rua Pinheiro Machado, 2659, sala 604 – 6º andar do Centro Comercial Cavour, no bairro São Pelegrino, em Caxias do Sul. O telefone é o (54) 3223.3426

A médica dermatologista Cimone Bonfanti, com consultório em Caxias do Sul, explica que para evitar problemas de pele, o agricultor precisa usar o protetor solar diariamente e, o mais importante, de forma contínua e sem se deixar influenciar pela situação climática e horário de exposição. Além do protetor, acessórios e roupas também são fundamentais, como chapéus de aba larga e de trama bem fechada, roupas de algodão, luvas e calçados fechados. “O protetor solar deve ter um Fator de Proteção Solar (FPS) de, no mínimo, 30. O produto deve ser aplicado em casa, na sombra, com a pele seca, não suada, para que ele não perca sua eficácia, além de fazê-lo de 15 a 20 minutos antes da exposição ao sol”, explica Cimone, que dá outra dica: “Nos dias de hoje existem, inclusive, roupas com proteção solar, resistentes às lavagens, que fornecem uma segurança adequada. O tecido tem na sua composição a proteção solar, favorecendo o cuidado com a pele de forma mais cômoda e prática, poupando a aplicação do creme fotoprotetor onde existe a roupa”, complementa a dermatologista.

Roupas de algodão são as mais indicadas para as atividades ao ar livre, pois retêm cerca de 90% da radiação UV. Tecidos sintéticos, como o nylon, retêm apenas 30%. Cuidado também com as barracas, mais usadas na praia. Elas devem ser feitas de algodão ou lona, materiais que absorvem 50% da radiação UV. Outro objeto que tem extrema importância são os óculos de sol, que previnem cataratas e lesões á córnea.

Para garantir sua proteção

Passar o protetor uma vez por dia, contudo, não é suficiente. Assim como um medicamento, o produto tem um período de validade, por isso precisa ser reaplicado várias vezes durante o dia. “A proteção está garantida por, no máximo, três horas para a maioria dos fotoprotetores, mas esse tempo é reduzido com a transpiração e horário da exposição. Recomendo o uso, no mínimo, de duas vezes ao dia, mas com o horário de verão e as tardes mais longas, a irradiação é mais intensa, então o melhor seria aplicar o protetor três vezes ao dia”, sugere a médica. Os diferentes tipos de pele possuem riscos maiores ou menores: peles mais claras têm risco maior de desenvolver dados solares e, portanto, requerem cuidados intensivos. “Costumo dizer que o agricultor, como qualquer trabalhador da indústria, necessita de Equipamentos de Proteção Individual, os EPI’s, para garantir sua própria segurança no trabalho. Como não existe uma fiscalização, o agricultor deve ser responsável na preservação da sua saúde e estes cuidados não podem ser ignorados”, reconhece.

Visitar um médico dermatologista pelo menos uma vez por ano é o complemento a esses cuidados diários. Essa frequência, no entanto, aumenta caso haja lesões na pele ou ainda histórico familiar de câncer de pele. “Alerto sempre para a necessidade da avaliação de sinais ou pintas acastanhadas pelo corpo todo, mesmo em áreas sempre cobertas, que nunca pegam sol. É fundamental nunca abusarmos da exposição solar. O sol é necessário, vital e benéfico, mas na medida certa, sendo como um amigo, recebido com moderação”, pondera Cimone.

As principais doenças de pele

Existe uma série de doenças que acometem a pele dos agricultores, são os fotodanos. São lesões provocadas pela irradiação ultravioleta, desde simples manchas chamadas melanoses solar ou grandes sardas até tumores de pele. Conheça alguns dos problemas mais comuns e fique sempre de olho para agendar uma visita com seu dermatologista.

– Melanose solar: São grandes sardas, acastanhadas, de diferentes tamanhos e formatos. Aparecem com mais facilidade no dorso das mãos e laterais da face. São benignas, mas estigmatizantes, podem ser numerosas e agravar com o passar do tempo, pois têm efeito cumulativo: quanto mais tempo acumulado de exposição solar, mais manchas.

– Ceratose actínica: São pequenas manchas vermelhas, ásperas, escamosas, crônicas, de longa evolução e que nunca melhoram. Aparecem geralmente na face, no dorso das mãos, antebraços e nos calvos, no couro cabeludo e também nas orelhas. São lesões cancerizáveis e necessitam de tratamento com dermatologista, em consultório.

– Tumores: São lesões erosadas, sangrantes, verrucosas, elevadas na pele cronicamente exposta ou na pele que sofre queimaduras solares periodicamente. Na maioria das vezes, necessitam de tratamento médico cirúrgico.

– Alergia solar: Causa intensa coceira e numerosas pequenas bolinhas vermelhas. Requer tratamento médico com antialérgicos e intensa proteção solar.

– Fitofotodermatose: Uma espécie de queimadura pela associação da exposição aos raios ultravioleta, mais a presença de uma espécie de ácido que algumas plantas e frutas soltam ao serem manuseadas. Só acontece quando há a combinação da luz com a substância irritante ao mesmo tempo na pele, é como uma queimadura por limão e folhas de figo.