Uso de feromônios no controle da mariposa oriental

Encontro entre agricultores e pesquisadores debateu a temática, identificando pontos de melhoria para o emprego da tecnologia

Nas duas últimas safras os produtores de maçã, tanto do Rio Grande do Sul quanto de Santa Catarina, precisaram redobrar os cuidados com a mariposa oriental (Grapholita molesta) devido às perdas causadas pela praga, que chegaram a 20% da produção em algumas localidades. Segundo o engenheiro agrônomo João Meyer, nesse período, a grafolita voltou a integrar a lista das principais pragas da macieira, em conjunto com a mosca-das-frutas, lagarta enroladeira e outras grandes lagartas. Meyer comenta que a grafolita parecia estar controlada e, que com o uso comercial dos feromônios sexuais, praticamente não havia necessidade de inseticidas para o controle da praga, os quais só eram aplicados na limpeza do pomar, antes de instalar os feromônios no campo.

 

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Adulto de grafolita

 

 

 

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Lagarta em fruto de macieira

 

 

Entretanto, com o aumento dos prejuízos ocasionados pela praga nas últimas duas safras, os produtores passaram a questionar o porque do baixo controle da grafolita, mesmo com o emprego dos feromônios. Assim, com o objetivo de atualizar informações sobre o manejo do inseto nos pomares de macieira, a Embrapa Uva e Vinho e a Epagri realizaram um encontro para debater a temática, identificando pontos de melhoria para o emprego da tecnologia, reunindo aproximadamente 70 pesquisadores, técnicos e produtores. O evento aconteceu no início de junho em Vacaria, na Casa do Povo, e contou com o importante apoio da Associação Gaúcha dos Produtores de Maçã (Agapomi) e da Associação Brasileira de Produtores de Maçã (ABPM).

Na avaliação do pesquisador da Epagri Cristiano João Arioli, um dos coordenadores do evento, de 2000 a 2010 aconteceu um grande esforço e dedicação por parte da pesquisa no estudo dos feromônios, com avaliação das formulações, coleta de dados a campo e validação da tecnologia em grandes áreas, congregando a atuação de diversas instituições públicas e privadas. “Todo esse trabalho possibilitou que as tecnologias desenvolvidas e validadas chegassem ao setor produtivo”, segundo ele.

Arioli pontua que ao final do evento, pôde-se concluir que o uso de feromônios continua sendo uma importante estratégia no manejo da grafolita, mas seu uso deve ser integrado com outras tecnologias, incluindo o emprego de inseticidas em situações de alta pressão populacional da praga e de outros insetos associados. Como a eficiência dos feromônios depende de diversos fatores, o conhecimento e acompanhamento dos responsáveis técnicos e fruticultores é essencial para estabelecer o momento e a forma correta de aplicar as formulações.

Segundo Adalécio Kovaleski, pesquisador da Embrapa Uva e Vinho e também um dos organizadores do evento, é fundamental que o setor invista no emprego dos feromônios por ser uma tecnologia limpa. “É importante que todos sigam as recomendações para conseguirmos reduzir a população e consequentemente os danos da praga com uma estratégia que não deixe resíduos na fruta”. Kovaleski ainda destaca que a tecnologia protege os inimigos naturais das pragas nos pomares.

Para João Meyer, o evento possibilitou a troca de informações e discussão a partir de diferentes pontos de vista. “A primeira coisa para se conseguir resolver um problema é assumir que ele existe. E foi isso que aconteceu no evento”, pontuou ele ao destacar a oportunidade.

Participação do setor privado
Durante o evento, as três principais empresas fornecedoras de formulações comerciais de feromônios sexuais para o manejo de grafolita (Basf, Biocontrole e Isca Tecnologias) apresentaram os produtos disponíveis aos técnicos e produtores participantes, destacando as formulações de curta duração, com 70 a 90 dias de controle (Biolita e Splat), e de longa duração (180 dias) como Cetro e Isomate, esse último em fase final de registro no Brasil. (Reportagem elaborada pela equipe de imprensa da Embrapa Uva e Vinho).

Principais recomendações

Os feromônios sexuais são ferramentas importantes para o manejo da grafolita nos pomares dentro de uma estratégia de Manejo Integrado de Pragas (MIP).
– A eficiência do uso do feromônio é maior quando a pressão da praga estiver baixa.
– O uso de feromônios é uma das ferramentas à disposição do produtor, que deve avaliar a situação do pomar. Caso a pressão da praga esteja muito elevada, o uso de um inseticida deve ser considerado. Alguns parâmetros orientadores de população alta: danos na colheita acima de 2% e voo pós diapausa com picos populacionais acima de 30 adultos de grafolita por armadilha de feromônio por semana.
– O melhor desempenho do feromônio ocorre em áreas amplas. Dessa forma, é possível reduzir a migração de insetos acasalados.
– A instalação dos feromônios sexuais deve ser empregada o mais cedo possível, visando o controle das primeiras gerações.
– Em áreas submetidas à técnica, deve-se dar maior atenção ao monitoramento da praga, observando a presença de insetos nas armadilhas de feromônio sexual, monitoramento de fêmeas e de frutos atacados.
– Em qualquer suspeita de falhas no controle, deve-se aplicar inseticidas de forma complementar.

Fatores a serem considerados no uso de feromônios:
– A pressão populacional no pomar é um fator chave, pois pressões muito altas geram dificuldade na contenção dos acasalamentos, reduzindo a eficiência da tecnologia.
– A tecnologia procura reduzir o crescimento da população ao impedir o acasalamento e reduzir a multiplicação da praga, como um efeito de longo prazo. Caso ocorra o acasalamento, as fêmeas farão a oviposição, causando danos na planta ou nos frutos. Nesse caso o feromônio não tem efeito e deve ser feito controle com o uso de inseticidas.

– Como a mariposa oriental apresenta diferentes gerações ao longo do ano, é importante que os feromônios sejam utilizados nas primeiras gerações de adultos, evitando o crescimento populacional ao longo do ano.
– É importante o uso contínuo dos feromônios ao longo de várias safras para não interromper a diminuição da população, pois a tendência é a população voltar a crescer ao longo do tempo.