Cultivo protegido de uvas se expande na Serra

Há pouco mais de quinze anos, alguns viticultores de Caxias do Sul iniciaram, de forma rudimentar, pioneira e corajosa, o uso da plasticultura no cultivo de videiras e produção de uvas para consumo in natura. Atualmente, essa técnica se estende por 35 municípios da Serra Gaúcha e envolve 476 propriedades, que cultivam 425 ha e produzem 12.750 toneladas de uvas de qualidade superior. Os municípios que se destacam pela extensão de áreas protegidas são Farroupilha, Flores da Cunha e Caxias do Sul.

A implementação da plasticultura possibilitou o retorno do cultivo de uvas finas na região, como a Rainha Itália, altamente suscetível às oscilações climáticas e à incidência de fitopatias. Esta variedade, e seus clones (Rubí, Benitaka e Brasil), ocupam 23% da área protegida, sendo a variedade de maior destaque a Niágara Rosada, com quase 70% da área.

Embora seja um investimento elevado, a proteção dos vinhedos se torna viável por diversos fatores. Como principais benefícios, o engenheiro agrônomo Enio Ângelo Todeschini, da Emater/RS-Ascar Regional de Caxias do Sul, elenca ser esta a melhor forma de seguro contra as intempéries, como chuva excessiva, ventanias e granizo; a forte redução na incidência de doenças, bem como na necessidade de aplicação de fungicidas, o que impacta em menores custos, diminuição do risco de contaminação dos operadores dos vinhais e dos recursos ambientais, além da segurança alimentar; e o menor risco de contrair doenças do trabalhador, pois possibilita efetuar o manejo dos vinhedos abrigado de chuvas e ventos frios. Aponta, ainda, o incremento na produtividade dos vinhais e na qualidade da uva (pela sanidade e intensidade de coloração), bem como a colheita e comercialização do produto em épocas de menor oferta (em até 25 dias após a uva produzida a campo), o que possibilita auferir melhores preços.

Por outro lado, Todeschini enfatiza a fundamental importância de o viticultor ter a consciência de que o cultivo protegido difere amplamente do cultivo a campo. “É outro mundo. Se essa compreensão não estiver consolidada, frequentemente haverá equívocos no manejo produtivo do videiral, destacando-se as práticas culturais da poda seca e verde, do controle da irrigação e, fundamentalmente, na prevenção das fitopatias e manejo dos pesticidas”, ressalta.

Fonte: Emater/RS-Ascar – Regional de Caxias do Sul