Tributação, clima e mercado redefinem o futuro do setor vitivinícola em 2026

Análise de mercado aponta impactos da reforma tributária, mudanças climáticas e novas exigências do consumidor para produtores de uvas e vinhos
Produção de uvas e vinhos deverá adaptar-se às variações climáticas cada vez mais constantes

Tributação, clima e mercado em transformação

Diversos fatores podem impactar positiva ou negativamente a indústria vinícola. Apresentamos a seguir alguns elementos que poderão influenciar a tomada de decisões de produtores de uvas e vinhos em 2026 e nos próximos anos. A compreensão dos efeitos do clima, cujas inconstâncias são cada vez mais perceptíveis, as alterações tarifárias e as transformações impulsionadas pelos consumidores de vinho no mercado são alguns dos aspectos que podem provocar mudanças na produção, na comercialização e nas estratégias do setor vitivinícola.

Efeitos do clima

Secas, ondas de calor, chuvas excessivas e vendavais são fenômenos que poderão impactar a produção e, consequentemente, a comercialização de vinhos. Apropriar-se de ferramentas como seguro agrícola e patrimonial, que tendem a se tornar cada vez mais caros, pode ser uma solução, afinal, os imprevistos parecem estar cada vez mais frequentes.

Impacto das alterações tarifárias

Três fatores tributários devem influenciar o setor vitivinícola em 2026 e nos próximos anos. O primeiro é a reforma tributária, cuja implementação terá início gradual no próximo ano. Embora haja muitos estudos, o impacto real será percebido apenas após sua implantação efetiva, prevista para ocorrer até 2032. A dúvida que paira no ar é se o setor vitivinícola conseguirá convencer autoridades e legisladores para que o chamado “imposto do pecado” não incida ou tenha efeitos reduzidos.

Por outro lado, as alterações das tarifas de importação promovidas pelos Estados Unidos neste ano têm impacto direto sobre o maior produtor de vinhos do mundo, a Europa. Esta, por sua vez, buscando redistribuir suas exportações, deverá mirar novos mercados, sendo o Brasil um dos destinos prioritários.

O acordo União Europeia–Mercosul, com previsão de eliminação da tarifa de importação atualmente fixada em 27% ao longo de oito anos, também impactará a oferta de vinhos no mercado brasileiro. A assinatura do acordo, prevista para amanhã (20), já tende a servir como estímulo ao aumento das ações promocionais de produtores franceses, italianos e portugueses no Brasil.

Menos uvas, preços estáveis

De acordo com previsões da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), a produção global de uvas deve atingir mínimas históricas. Em nível mundial, os impactos climáticos — como secas e geadas fora de época — aliados ao estímulo ao arranque de vinhas na Europa podem significar aumento nos custos da matéria-prima.

Na Argentina, já há relatos de áreas de vinhedos abandonadas devido à falta de água para irrigação, causada pela redução do gelo na Cordilheira dos Andes. Fatores climáticos e políticas públicas da União Europeia devem impulsionar produtores a investir em tecnologias para mitigar impactos climáticos e a focar na produção de vinhos de maior valor agregado, visando manter a rentabilidade.

Pegada ecológica

Quantos consumidores, afinal, buscam produtos que assumem compromissos reais com o meio ambiente? A resposta é que esse número tende a crescer nos próximos anos. Manejo eficiente da água, uso de energia renovável, embalagens mais leves e redução da pegada de carbono poderão impactar positivamente as vinícolas que conseguirem implementar e comunicar essas práticas de forma consistente. A mensuração e a padronização desses indicadores ainda representam um desafio relevante para o setor.

Venda direta ao consumidor

Para pequenas e médias vinícolas, a busca por canais de venda direta deve se intensificar. Nesse contexto, a segmentação do mercado, o lançamento de produtos exclusivos por canal e edições limitadas podem se consolidar como estratégias importantes. No entanto, o consumidor de vinhos — com exceção do vinho de mesa — tende a ser cada vez menos fiel a marcas e produtos, priorizando a experimentação e a diversidade.

Menos álcool

O crescimento da comercialização de vinhos brancos pode estar relacionado tanto às condições climáticas quanto à busca por menor teor alcoólico. Embora existam evidências dos benefícios do consumo moderado à saúde e ao bem-estar, um grupo crescente de consumidores tende a escolher vinhos com menor graduação alcoólica. Trata-se de uma tendência emergente voltada a produtos percebidos como mais saudáveis.

Mão de obra e mecanização

Tanto na produção de uvas quanto nos processos industriais de elaboração e envase de vinhos, o impacto da mão de obra será cada vez mais significativo. Investir em automação de funções tradicionalmente executadas por pessoas será um desafio crescente para o setor.

Premiumização

Outra tendência observada é a premiumização, caracterizada pelo aumento da produção de vinhos premium ou de categorias superiores. A disputa no mercado de vinhos de entrada, fortemente influenciado pelo poder aquisitivo do consumidor, tende a estimular produtores a direcionar esforços a públicos com maior estabilidade de renda. Nesse segmento, em que o consumidor é mais informado e exigente, os atributos dos vinhos precisam estar claramente identificados.

Experiências em enoturismo

Se as condições climáticas permitirem — uma vez que interferem diretamente nas vias de acesso, como estradas e aeroportos —, há uma tendência de crescimento do enoturismo nas regiões produtoras. A busca por experiências que integrem cultura, gastronomia, paisagens e vinhos deve se intensificar nos próximos anos.

 

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