
A Associação Gaúcha de Vinicultores (AGAVI) inicia um novo ciclo institucional com a posse de Simone Lovatel como presidente para o biênio 2026/2027. Eleita com o apoio do Conselho e dos associados, ela se torna a primeira mulher a ocupar a presidência da entidade em 45 anos de história, marco relevante para a representatividade no setor vitivinícola brasileiro.
“Ser a primeira mulher a ocupar este cargo em 45 anos de história da AGAVI é, sem dúvida, uma honra, mas sobretudo uma grande responsabilidade institucional”, afirmou a nova presidente ao assumir o mandato. Lovatel é sócia-proprietária e supervisora administrativa da Lovatel Indústria Vinícola Ltda., empresa fundada em 1979 e sediada em Caxias do Sul, além de ser mestre em Matemática pela UFRGS, descendente de imigrantes italianos e filha de produtores de uva e vinho.
A AGAVI reúne atualmente 47 associados e foi fundada em 19 de agosto de 1981 com o objetivo de aproximar produtores de uva e vinho, defender interesses comuns e promover ações estratégicas para o desenvolvimento do setor, representando pequenos, médios e grandes produtores. Ao longo de sua trajetória, a Associação teve atuação relevante na construção da legislação vitivinícola brasileira e na adequação às normas do Mercosul, além de ter sido protagonista na criação do FUNDOVITIS, em 1997.
Segundo Simone Lovatel, a entidade “sempre desempenhou um papel ativo e relevante nas principais pautas da vitivinicultura brasileira”, mantendo presença constante em conselhos e câmaras setoriais e atuando de forma equilibrada em temas sensíveis, como a formação do preço da uva.
Entre os temas centrais da nova gestão, a presidente destaca a reforma tributária, especialmente no que se refere ao imposto seletivo. “Ainda que as alíquotas não estejam definidas, a simples inclusão do vinho na categoria de produtos considerados nocivos à saúde ou ao meio ambiente nos causa extrema preocupação”, afirmou.
Para Lovatel, um eventual aumento da carga tributária pode comprometer a viabilidade econômica do setor. “Caso a carga tributária do vinho seja ampliada de forma significativa, estaremos diante de um sério risco de inviabilidade econômica da vitivinicultura nacional”, disse, alertando para impactos diretos no consumo e na competitividade frente aos vinhos importados.
Diante desse cenário, a AGAVI, em conjunto com outras entidades do setor, contratou a Auxilium Consultoria e Associados, de Brasília, que atua junto à Frente Parlamentar da Uva e do Vinho. O objetivo é sensibilizar o poder público sobre os impactos econômicos, sociais e culturais das medidas em debate. Entre as propostas defendidas está a diferenciação tributária do vinho. “Trata-se de uma questão de coerência regulatória e justiça tributária”, afirmou a presidente, lembrando que a graduação alcoólica do vinho é significativamente inferior à de outras bebidas alcoólicas.
A nova gestão também manterá atenção permanente aos acordos comerciais internacionais, como o Mercosul–União Europeia. Segundo Simone Lovatel, esses acordos “podem gerar impactos profundos sobre a competitividade da produção nacional”.
A AGAVI seguirá atuando no combate à entrada ilegal de vinhos no país e na defesa da proibição da legalização de produtos apreendidos. “Lutamos para que esses produtos sejam descartados e não retornem ao mercado consumidor”, reforçou.
Outro eixo da gestão será a maior proximidade com os associados, especialmente pequenas e médias vinícolas familiares. “Nosso papel é orientar, apoiar e construir soluções viáveis para essa realidade”, afirmou Lovatel, referindo-se às crescentes exigências legais, como boas práticas de fabricação, rastreabilidade, cursos de NRs e logística reversa.
A AGAVI mantém suporte jurídico, contábil e técnico aos associados por meio de parcerias com o escritório Zenatto Advogados, a Costa Contabilidade e o Laboratório Lavin, garantindo segurança e orientação técnica ao setor.
A ampliação da participação feminina também integra a agenda da nova presidente. “Historicamente, as mulheres sempre estiveram presentes nos bastidores do setor, mas pouco representadas nos espaços formais de decisão. Isso precisa mudar”, afirmou.
Encerrando, Simone Lovatel reforçou a importância da união do setor. “O sucesso das nossas ações depende da união do setor, da construção de uma rede sólida de apoio e da saúde financeira da entidade. Juntos, somos mais fortes. Vamos seguir defendendo nossa cultura, nossa história e toda a cadeia produtiva da uva e do vinho, que é tão relevante para o Rio Grande do Sul e para o Brasil”, concluiu.
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