Fevereiro exige manejo fino na reta final da safra de uvas

Calor intenso e chuvas irregulares elevam risco sanitário e exigem decisões precisas no vinhedo

O início de fevereiro marca um dos períodos mais sensíveis da safra de uvas no Rio Grande do Sul. Com temperaturas elevadas, chuvas isoladas e mal distribuídas e muitas áreas entrando em colheita ou se preparando para iniciar, o manejo nesta fase deixa de ser rotineiro e passa a exigir decisões técnicas precisas, sob risco de perdas de qualidade, produtividade e problemas pós-colheita.

Esse foi um dos principais alertas apresentados pelo agrônomo e especialista em fruticultura Cléber Zortea durante um Dia de Campo realizado em Flores da Cunha (RS), em parceria entre Prefeitura, Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Sicredi e Sebrae. Embora o encontro tenha ocorrido na Serra Gaúcha, as recomendações técnicas são aplicáveis a outras regiões produtoras, como a Serra Catarinense e polos emergentes da vitivinicultura brasileira.

Segundo Zortea, o maior erro nesta fase da safra é reagir apenas quando os sintomas já estão visíveis. Em condições de calor e umidade intermitente, doenças como míldio, podridões e glomerella já estão instaladas no vinhedo quando o produtor identifica os primeiros sinais.

“O controle eficiente agora é preventivo. Esperar a doença aparecer significa correr atrás do prejuízo”, destacou o especialista.

A recomendação passa por ajustes finos no intervalo entre aplicações, rotação correta de mecanismos de ação e uso estratégico de produtos biológicos próximos à colheita, respeitando períodos de carência e preservando a qualidade da fruta.

Outro ponto de atenção levantado no Dia de Campo foi a nutrição no final do ciclo. A busca por açúcar elevado, comum nesta fase, leva muitos produtores a reforçarem potássio de forma excessiva. O resultado pode ser uma uva com bom grau, mas com reflexos negativos na fermentação.

Zortea alertou que o excesso de potássio no fim do ciclo está diretamente associado a dificuldades no processo fermentativo, exigindo correções posteriores na vinificação.

Como alternativa, o especialista destacou que doses baixas e bem posicionadas de nitrogênio antes da colheita podem contribuir para melhorar o equilíbrio da uva, favorecer a fermentação e elevar a qualidade final do vinho — desde que aplicadas com critério técnico.

Com chuvas espaçadas e calor intenso, a irrigação também se torna um ponto crítico. O erro mais comum, segundo o especialista, não é irrigar pouco, mas irrigar de forma irregular. Solos que secam excessivamente entre irrigações perdem eficiência na absorção de água e nutrientes, o que aumenta o risco de rachadura de bagas, desuniformidade de maturação e maior vulnerabilidade a doenças.

O manejo recomendado prioriza constância e boa distribuição da água, ajustando sistemas e horários para minimizar perdas por evaporação e estresse hídrico.

Durante o encontro, Zortea também provocou os produtores a ampliarem o conceito de produtividade. Para ele, produzir mais não significa apenas colher mais quilos, mas produzir com mais eficiência, reduzindo erros, retrabalhos e custos ao longo do ciclo.

Nesse contexto, o especialista reforçou a importância da participação dos produtores em dias de campo e encontros técnicos. Segundo ele, o acesso à informação aplicada, observada diretamente na propriedade, torna o produtor mais assertivo nas decisões de manejo, melhora o uso dos insumos e impacta diretamente no resultado econômico da atividade.

“Quando o produtor busca conhecimento, ele erra menos, aplica melhor os recursos que tem e transforma técnica em lucro. Informação bem aplicada reduz custo e aumenta resultado”, ressaltou.

Material técnico aprofunda recomendações

As orientações apresentadas no Dia de Campo estão reunidas em um material técnico disponibilizado para download no Portal A Vindima (baixe aqui). O conteúdo detalha:

  • pontos críticos de manejo por fase da videira
  • janelas de maior risco para entrada de doenças
  • ajustes nutricionais

Em um fevereiro marcado por clima instável e decisões que não admitem margem de erro, o material funciona como apoio técnico direto para quem está com a colheita em andamento ou prestes a iniciar — e como ferramenta de consulta para produtores de diferentes regiões vitivinícolas do país.

 

 

 

 

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