Brasil institui o Dia Nacional do Vinho no primeiro domingo de junho

Lei 15.460 foi sancionada nesta terça-feira e encerra 22 anos de tramitação no Congresso Nacional

 

O vinho brasileiro ganhou data no calendário nacional. A Lei 15.460, sancionada nesta terça-feira, 7 de julho, e publicada no Diário Oficial da União nesta quarta, institui o Dia Nacional do Vinho a ser comemorado anualmente no primeiro domingo de junho. A proposta tramitava no Congresso Nacional desde 2004, de autoria do deputado Paulo Pimenta, e foi aprovada sem vetos.

A lei é simples. Dois artigos, uma data, um reconhecimento que demorou 22 anos para se concretizar. Para um setor que movimenta agricultura familiar, cooperativismo, enoturismo, gastronomia e exportações em diferentes regiões do Brasil, a conquista tem peso simbólico e prático.

O presidente do Consevitis-RS, Maicon Galiotto, vê na data uma plataforma de longo prazo para o setor. “O Dia Nacional do Vinho cria uma oportunidade permanente para aproximar o consumidor do vinho brasileiro, incentivar o enoturismo, promover a cultura do vinho e ampliar o reconhecimento da qualidade dos nossos produtos, tanto no mercado interno quanto no exterior.” Galiotto aproveita o momento para sinalizar uma agenda que considera incompleta. “O vinho brasileiro já demonstra sua qualidade e capacidade de competir nos principais mercados. O desafio é garantir um ambiente mais favorável para a produção nacional, com condições que permitam ao vinho brasileiro competir de forma mais equilibrada no próprio mercado interno.”

Mário Lucas Ieggli, presidente da Associação Brasileira de Enologia, situa a lei num contexto mais amplo do que o calendário. “Mais do que criar uma data no calendário, esse reconhecimento ajuda o país a olhar para o vinho brasileiro como expressão de cultura, território, conhecimento técnico e trabalho coletivo. O vinho brasileiro nasce muito conectado à agricultura familiar, à permanência das pessoas no campo, à inovação nas vinícolas e à capacidade de transformar uva, paisagem e tradição em desenvolvimento.”

Heloisa Bertoli, presidente do SindVinho-MG, amplia o olhar para além da bebida. “Mais do que celebrar uma bebida, esta conquista homenageia os vinicultores, viticultores, enólogos, cantineiros, trabalhadores do campo e das adegas, pesquisadores, técnicos, empreendedores, sommeliers, apreciadores do vinho e as milhares de famílias que, com dedicação, promovem desenvolvimento, identidade e oportunidades para o Brasil.”

Valnei Cover, presidente da Fecovinho-RS, destaca o timing da sanção. “Todos os atos que tenham como objetivo difundir o vinho são bem-vindos e esse talvez seja o momento mais oportuno para a lei ser sancionada — 2026 é o ano de uma grande safra. Não é algo que caiu de paraquedas. É um trabalho construído há tempo. Alguém planta, faz a base, e no futuro as pessoas colhem.” Para Cover, a data deverá impulsionar ações enogastronômicas, turísticas, culturais e técnicas em torno de um produto que considera muito além de uma bebida — uma manifestação cultural que sustenta economicamente milhares de famílias produtoras, em sua maioria agricultores familiares no sistema cooperativo.

A data chega num momento de expansão da vitivinicultura brasileira para além do eixo tradicional. O Rio Grande do Sul segue como maior polo produtor do país, mas regiões como os vinhos de altitude de Santa Catarina, os vinhedos do Paraná, a Serra Fluminense, as Montanhas Capixabas, o Vale do São Francisco, a Chapada Diamantina, o Cerrado do Distrito Federal e as vinícolas no interior de Minas Gerais, São Paulo e Goiás consolidam produção própria, com identidades territoriais distintas e vinhos premiados internacionalmente. Ter um Dia Nacional do Vinho significa, para esse conjunto de regiões, uma plataforma anual de visibilidade e promoção da diversidade da produção brasileira.

 

 

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