Enquanto exportações de vinho italiano recuam, vendas ao Brasil crescem 8,2%

Dados do primeiro semestre de 2026 mostram Brasil e Mercosul na contramão da queda global do vinho italiano, que retraiu 6,2% em valor

 

As exportações italianas de vinho recuaram 6,2% em valor no primeiro semestre de 2026, chegando a €3,6 bilhões, com retração de 4% em volume e queda de 2,3% no preço médio de exportação, segundo dados do Observatório da União Italiana do Vinho, a UIV, baseados em estatísticas do ISTAT. Dos dez principais destinos das exportações italianas, nove registraram queda nas compras. O Brasil aparece no grupo que caminhou na direção contrária, com crescimento de 8,2%, inserido numa expansão de 18,4% do Mercosul como bloco.

O dado brasileiro ganha relevo quando comparado ao desempenho dos mercados tradicionais do vinho italiano. Os Estados Unidos, maior comprador individual com €849 milhões no período, recuaram 14,1%, com queda adicional de 7,8% no preço médio praticado. Alemanha e Reino Unido também reduziram compras, com retrações de 6,8% e 6,6%, respectivamente. Além do Brasil e do Mercosul, apenas Rússia, com alta de 15,7%, e China, com crescimento de 19,8%, se destacaram positivamente no período.

Por categoria, o cenário italiano também é de dois pesos. Os espumantes sustentaram a posição, com crescimento marginal de 0,4%, enquanto os vinhos tranquilos engarrafados recuaram 8,9%, puxados pela queda de 9,3% nos tintos e 7% nos brancos. Regionalmente, Vêneto e Toscana foram as mais afetadas, com retrações de 8,4% e 7,4%, enquanto o Piemonte avançou 2,4%, impulsionado pelo Asti Spumante.

Para o setor vitivinícola brasileiro, o dado não é apenas uma curiosidade estatística. O vinho italiano é o segundo maior grupo de importação do Brasil por origem, e o crescimento de 8,2% nas vendas ao país, num semestre de retração generalizada, confirma que o mercado brasileiro segue em expansão para os vinhos importados. Esse movimento ocorre ao mesmo tempo em que o vinho brasileiro busca ampliar sua competitividade interna e conquistar consumidores que hoje escolhem o importado. A UIV, que pede uma reorganização estrutural da oferta italiana para enfrentar a crise global, já sinalizou que mercados emergentes como o Brasil estão no radar estratégico para os próximos anos.

 

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