
A vitivinicultura brasileira entra no último trimestre de 2026 com dados que apontam para expansão, e com variáveis que vão exigir estratégia. O setor movimentou R$ 21,1 bilhões em 2025, crescimento de 9% sobre o ano anterior, enquanto as exportações de vinhos e espumantes somaram US$ 6,79 milhões no primeiro semestre de 2026, alta de 23,73% em relação ao mesmo período do ano anterior, com presença em 79 países. Ao mesmo tempo, o acordo Mercosul-União Europeia, em implementação desde maio, começa a redesenhar o ambiente competitivo do mercado doméstico.
O acordo não representa ameaça imediata ao espumante nacional. Os produtos europeus da categoria com valor igual ou superior a US$ 8 por litro tiveram a tarifa de importação zerada de imediato — mas esse segmento representa cerca de 6% do faturamento dos importados no Brasil, mercado em que os espumantes nacionais já detêm 83% de participação. Para os espumantes europeus de entrada, o setor brasileiro negociou uma janela de proteção de 12 anos. Os vinhos tranquilos terão redução gradual de tarifas ao longo de oito anos, prazo em que a pressão competitiva deve vir principalmente de Chile e Argentina, não da Europa.
O cenário externo, por sua vez, favorece o posicionamento dos espumantes brasileiros. O Sparkling Report divulgado pela ProWein em junho de 2026 estima o mercado global da categoria em US$ 54,7 bilhões e aponta resiliência frente à queda no consumo geral de vinho, com crescimento liderado pela premiumização e pelo avanço de regiões com identidade de terroir própria. No Brasil, os espumantes registraram alta de 19,50% nas exportações no primeiro semestre, com receita de US$ 1,18 milhão — crescimento expressivo, ainda que em volume ainda modesto frente ao potencial do setor.
A base produtiva também se ampliou. De acordo com o Anuário do Vinho 2026, publicado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, o número de vinícolas registradas no Brasil passou de 682, em 2020, para 965, em 2025 — alta de 41,5% em cinco anos. Os estabelecimentos estão distribuídos por 327 municípios, com concentração no Rio Grande do Sul, que reúne 600 vinícolas, seguido por Santa Catarina, com 102, e São Paulo, com 86. A diversificação geográfica da produção acompanha a diversificação dos destinos de exportação. O número de países compradores cresceu 20,4% na comparação anual.
Em outubro, uma rodada de negócios promovida pela ApexBrasil durante a ProWine São Paulo conectou 24 empresas brasileiras a compradores de China, Reino Unido, Países Baixos, Angola, Rússia, México e Paraguai, gerando US$ 900 mil em negócios imediatos e US$ 1,9 milhão em perspectivas para os próximos meses. Os mercados presentes na rodada coincidem com os destinos que o setor tem priorizado na estratégia de diversificação — reduzindo a dependência de poucos compradores e ampliando a capilaridade internacional da produção nacional.
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