
O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia avançou de forma decisiva nesta sexta-feira (9). O Conselho Europeu deu aval provisório ao tratado, encerrando uma das etapas mais sensíveis de uma negociação que se arrasta há mais de 25 anos. Com isso, o acordo entra na fase final para assinatura formal, prevista para a próxima segunda-feira (12), no Paraguai.
A aprovação provisória autoriza politicamente a Comissão Europeia a seguir com o processo, mesmo diante da oposição de países como a França. A entrada em vigor, porém, não será imediata. O texto ainda precisará passar pelos processos de ratificação internos nos dois blocos.
Para o setor do vinho, o avanço do acordo traz maior pressão competitiva no médio e longo prazo. O tratado prevê a redução gradual das tarifas de importação, o que tende a baratear vinhos europeus no Brasil e ampliar a oferta de rótulos, especialmente de países como França, Itália, Espanha e Portugal.
Para o trade, o movimento pode significar mais variedade e oportunidades comerciais. Mas o produtor brasileiro sabe que a vitivinicultura europeia opera com subsídios agrícolas estruturais, apoio direto da Política Agrícola Comum (PAC) e políticas públicas consolidadas, enquanto o Brasil enfrenta alta carga tributária e menor proteção ao produtor.
França promete reação
Apesar do aval provisório, a França mantém resistência ao acordo. O governo francês sinalizou que pode buscar salvaguardas adicionais ou atuar para dificultar etapas futuras da ratificação, pressionado por agricultores que temem concorrência com produtos sul-americanos.
Próximos passos
- Assinatura formal prevista para 12 de janeiro
- Ratificação no Parlamento Europeu e, possivelmente, nos parlamentos nacionais da UE
- Aprovação nos Congressos do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai
Durante esse período, UE e Mercosul podem discutir a aplicação provisória de partes do acordo, especialmente as ligadas à redução tarifária.
O Brasil no centro do debate
Como maior mercado do Mercosul, o Brasil terá papel decisivo. Sustentabilidade, controle ambiental, competitividade tributária e proteção da produção nacional entram no centro das discussões.
Para a cadeia da uva e do vinho, a preocupação é com o impacto real do acordo. O momento exige atenção, articulação institucional e pressão por medidas de equilíbrio para que a abertura comercial não fragilize ainda mais a vitivinicultura brasileira.
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