A vitivinicultura da Serra Gaúcha passa a contar com novas orientações para manejo da fertilidade do solo nos vinhedos. Foi publicado o Boletim Técnico – Segunda aproximação de recomendações de calagem e adubação para solos da Serra Gaúcha do Rio Grande do Sul (2025), documento que atualiza as indicações de correção da acidez e de adubação de pré-plantio com base em dados coletados na própria região.
Na prática, o material traz parâmetros mais ajustados à realidade local, o que pode ajudar produtores a melhorar a qualidade da uva, evitar aplicações excessivas de fertilizantes e reduzir custos de implantação e manutenção dos vinhedos.
O estudo foi financiado pelo Consevitis-RS e reuniu dados de 50 áreas de solo nativo e um banco com informações de 500 vinhedos, avaliados ao longo de quatro safras, entre 2021/22 e 2024/25.
Até então, muitas recomendações utilizadas na região eram baseadas em manuais mais amplos, que consideravam médias de solos do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. O novo boletim busca refinar essas orientações para as condições específicas da Serra Gaúcha, principal polo vitivinícola do país.
A região concentra cerca de 73% da área de videiras do Brasil e registrou R$ 1,68 bilhão em valor bruto de produção em 2024.
Correção da acidez com mais precisão
Um dos pontos centrais do boletim é a atualização das recomendações de calagem, prática utilizada para corrigir a acidez do solo.
Os pesquisadores observaram que, em alguns casos, os métodos tradicionais podem subestimar a acidez em solos com alto teor de matéria orgânica, característica comum na Serra Gaúcha.
Com base nos novos dados, o documento propõe ajustes na forma de calcular a quantidade de calcário necessária para elevar o pH do solo a níveis adequados para a videira.
Também são reforçadas orientações práticas para os produtores, como:
- ajustar a dose conforme a pedregosidade da área
- considerar a qualidade do calcário utilizado (PRNT)
- incorporar o produto até cerca de 20 cm de profundidade
- realizar a aplicação com pelo menos 90 dias de antecedência do plantio
Segundo os autores, a calibragem regional tende a tornar o manejo mais eficiente, evitando tanto a falta quanto o excesso de calcário no solo.
Uso mais eficiente de fósforo e potássio
Outro avanço importante do boletim está na atualização das recomendações de fósforo e potássio, nutrientes fundamentais para o desenvolvimento da videira.
A partir dos dados coletados em campo, foram recalculadas as quantidades necessárias para corrigir deficiências no solo, considerando características como teor de argila e capacidade de troca de nutrientes.
O documento também apresenta uma alternativa que pode trazer economia ao produtor: a aplicação localizada de fertilizantes no sulco de plantio, em vez da distribuição em toda a área.
Essa estratégia pode reduzir significativamente a quantidade de adubo utilizada — um ponto relevante em um cenário em que o Brasil depende fortemente da importação de fertilizantes.
Novos parâmetros para avaliar nutrição da videira
Com base nas observações de campo, o boletim também atualiza os níveis de referência para nutrientes no solo e nas folhas da videira.
Esses parâmetros são utilizados por técnicos e produtores para interpretar análises laboratoriais e ajustar o manejo nutricional do vinhedo.
Os novos valores refletem a realidade de áreas com maior produtividade. Muitos dos vinhedos analisados apresentaram rendimentos superiores a 30 toneladas por hectare, acima da referência tradicional utilizada anteriormente.
Também foram definidos parâmetros para nutrientes como cálcio, magnésio, enxofre e boro, além de novos intervalos para interpretação da análise foliar.
No caso do nitrogênio, as recomendações passam a diferenciar estratégias voltadas à produtividade e à qualidade da uva, considerando impactos sobre o teor de açúcar.
Impacto para o produtor
Para a cadeia produtiva da uva e do vinho, o novo boletim representa um avanço importante na regionalização das recomendações agronômicas.
Ao trabalhar com dados obtidos diretamente na Serra Gaúcha, o documento tende a oferecer orientações mais precisas para o manejo do solo, contribuindo para melhorar o equilíbrio nutricional da planta, elevar a qualidade da uva, otimizar o uso de fertilizantes, bem como reduzir custos e impactos ambientais.
A recomendação é que as orientações sejam aplicadas com base em análises de solo e análise foliar atualizadas, preferencialmente com acompanhamento de engenheiro agrônomo ou técnico agrícola.
O boletim completo está disponível para consulta pública em formato digital (baixe aqui).
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