
A safra de 2026 entra para a história da vitivinicultura brasileira com um marco relevante em escala produtiva. A Cooperativa Vinícola Aurora encerrou a colheita com 93 milhões de quilos de uva processados, o maior volume registrado em seus 95 anos de atuação. O resultado representa um crescimento de 30% em relação a 2025 e supera o recorde anterior, alcançado em 2021.
O dado ganha relevância no contexto do setor nacional ao evidenciar capacidade produtiva, organização da base cooperativa e resposta a condições climáticas favoráveis. A produção envolve cerca de 1,1 mil famílias cooperadas, responsáveis pelo cultivo de 56 variedades de uva, entre viníferas, americanas e híbridas, destinadas à elaboração de vinhos, espumantes e sucos.
Além do volume, a qualidade da safra também é apontada como um diferencial. O ciclo foi marcado por fatores climáticos considerados positivos para o desenvolvimento das videiras, com destaque para o inverno rigoroso, ausência de geadas tardias e boa distribuição de chuvas ao longo das fases iniciais. Já durante a maturação, a menor disponibilidade de água contribuiu para a concentração de açúcares nas uvas.
“Esta foi uma safra que ficou cerca de 8% acima do esperado. Tivemos um ciclo muito favorável do ponto de vista climático, com inverno rigoroso, boa disponibilidade de horas de frio, ausência de geadas tardias e condições ideais durante a floração e o desenvolvimento das plantas. A leve escassez hídrica no período de maturação também foi fundamental para elevar a qualidade das uvas”, afirma o gerente agrícola da cooperativa, Maurício Bonafé.

Na avaliação técnica, o cenário climático contribuiu diretamente para a sanidade dos vinhedos. “O rigoroso inverno de 2025 e o baixo volume de chuvas garantiram excelente sanidade das videiras, favorecendo a maturação adequada das uvas e, consequentemente, resultando em uma safra expressiva em quantidade e também em qualidade”, destaca o enólogo-chefe da Aurora, Nauro José Morbini.
A evolução do volume processado ao longo da última década mostra a variabilidade produtiva do setor, influenciada principalmente por fatores climáticos. Após oscilações significativas entre 2015 e 2024, a safra de 2026 marca uma recuperação expressiva, com desempenho superior aos anos anteriores.
O resultado reforça a importância do monitoramento climático, da adaptação de manejo e da organização da cadeia produtiva para garantir estabilidade e qualidade. Em um cenário de maior competitividade e pressão sobre custos, safras volumosas e equilibradas tendem a impactar diretamente a disponibilidade de produtos, estratégias comerciais e posicionamento do vinho brasileiro no mercado.
Mais do que um recorde interno, o desempenho da Aurora em 2026 dialoga com um tema central para a vitivinicultura nacional: a capacidade de produzir com escala, qualidade e regularidade, fatores decisivos para ampliar competitividade e presença no consumo interno.

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