
O cancro da videira, doença bacteriana que afeta vinhedos e pode comprometer a produção de uvas, mantém o setor vitivinícola brasileiro em alerta. Para evitar a entrada da praga no Estado, o Rio Grande do Sul intensificou o monitoramento em parreirais da Serra Gaúcha, com inspeções realizadas pela Secretaria da Agricultura, por meio do Departamento de Defesa Vegetal (DDV).
A doença é causada pela bactéria Xanthomonas axonopodis pv. viticola e está presente no Brasil, com registros principalmente nos estados da Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Roraima. No entanto, o Rio Grande do Sul segue reconhecido como área livre da doença, condição considerada estratégica para a viticultura do Estado.
Para manter esse status sanitário, o monitoramento precisa cumprir metas definidas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), incluindo inspeções periódicas em vinhedos comerciais.
O principal risco de disseminação do cancro da videira ocorre por meio de mudas contaminadas, transporte de material vegetal sem controle sanitário e também pelo uso de ferramentas, máquinas e equipamentos contaminados.
A doença pode provocar lesões em ramos, folhas e cachos, afetando o desenvolvimento das plantas e reduzindo a produtividade dos vinhedos.
Segundo técnicos da defesa vegetal do RS, cultivares de uva de mesa, especialmente variedades sem sementes, tendem a apresentar maior suscetibilidade.
“Entre as variedades de mesa, as uvas sem sementes da espécie Vitis vinifera são mais vulneráveis do que as com sementes. As cultivares Thompson Seedless e Red Globe estão entre as mais afetadas pelo cancro. Já entre as variedades com sementes, as de coloração escura tendem a ser mais suscetíveis do que as brancas”, explica a chefe da Divisão de Defesa Sanitária Vegetal (DDSV/Seapi), Deise Feltes Riffel.
Como prevenir
Mesmo em regiões onde a doença não ocorre, como no Rio Grande do Sul e em outros polos vitivinícolas do país, a prevenção é considerada essencial.
De acordo com as orientações do Ministério da Agricultura, algumas medidas são fundamentais para reduzir o risco de introdução da bactéria nos vinhedos:
- utilizar mudas certificadas e livres de pragas
- adquirir material vegetal apenas de viveiros registrados
- evitar a entrada de mudas sem procedência na propriedade
- higienizar tesouras de poda, ferramentas e máquinas
- desinfetar botas e rodados de veículos ao circular entre vinhedos
- evitar o trânsito de equipamentos entre áreas com suspeita da doença
Essas práticas fazem parte das recomendações sanitárias previstas na Instrução Normativa nº 2/2014 do MAPA, que estabelece medidas de prevenção e controle do cancro da videira no Brasil.
O que observar no vinhedo
Produtores devem ficar atentos a possíveis sinais da doença, que podem incluir:
- manchas escuras em folhas e ramos
- lesões em formato irregular nos tecidos da planta
- rachaduras ou necroses em brotações
- queda de folhas ou enfraquecimento das plantas
Em caso de suspeita, a recomendação é procurar assistência técnica ou comunicar órgãos de defesa vegetal do estado.

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