Carnaval vira novo território estratégico para o vinho brasileiro

Vinícolas apostam em latas, espumantes e blocos para alcançar foliões onde o consumo acontece
Reprodução/Rio Valley

Durante décadas, o Carnaval brasileiro foi território quase exclusivo da cerveja e dos destilados. Nos últimos anos, porém, a cadeia do vinho passou a enxergar na maior festa popular do país um nicho estratégico de consumo, experimentação e construção de marca. Espumantes, frisantes e vinhos em lata começaram a ganhar espaço nos principais circuitos da folia, sinalizando uma mudança relevante no posicionamento das vinícolas brasileiras.

Esse movimento teve início de forma mais evidente no Nordeste, onde o clima quente e o perfil do público favoreceram bebidas mais leves, refrescantes e práticas. Um dos primeiros cases a chamar atenção foi o da Rio Valley, frisante em lata produzido no Vale do São Francisco (PE), que passou a ocupar blocos e eventos populares como estratégia deliberada de aproximação com novos consumidores.

Neste ano, durante o Bloco Seu Antônio, no Recife, cerca de 10 mil latas foram consumidas em um único dia, evidenciando o potencial do formato em ambientes de grande circulação. A marca ampliou sua atuação com versões alcoólicas e zero álcool, reforçando a ideia de que o vinho pode dialogar com o Carnaval sem perder identidade.

“Ocupar espaços onde o povo está” tornou-se o eixo central dessa estratégia, conectando o produto a festas populares como o Carnaval e o São João, em um movimento de democratização do consumo.

Espumante também entra na avenida

A leitura de mercado não ficou restrita às vinícolas do Nordeste. Em 2026, a Salton levou seus espumantes para alguns dos principais camarotes do país, consolidando a presença do vinho em ambientes historicamente dominados por outras bebidas.

No Rio de Janeiro, a vinícola é patrocinadora oficial do Camarote Nº1, um dos espaços mais prestigiados da Sapucaí, além de marcar presença em outros camarotes do circuito carioca. A estratégia se estendeu a São Paulo, Salvador, Recife e Olinda, ampliando o alcance nacional da marca durante o período carnavalesco.

“Nossos espumantes combinam com tudo, inclusive com o Carnaval. Eles acompanham desde os grandes eventos até os encontros mais espontâneos, sempre levando frescor e leveza”, afirmou Luciana Salton, diretora executiva da vinícola.

Além das ativações presenciais, a Salton levou o clima da folia para além dos circuitos de rua, com ações de degustação em voos comerciais da Azul Linhas Aéreas nos dias que antecederam o Carnaval, reforçando a associação do espumante a momentos de celebração e deslocamento turístico.

Divulgação/Salton

Onde o Carnaval não é forte, o vinho vai até o folião

Enquanto Rio de Janeiro, São Paulo e capitais do Nordeste concentram os grandes carnavais de rua, vinícolas do Sul passaram a adotar a estratégia de levar o produto até onde o público está.

Esse reposicionamento ficou evidente em São Paulo com o Bloco Balaco Baco, considerado o primeiro bloco de rua do Brasil dedicado ao universo do vinho. A Vinícola Cerro de Pedra (RS) assinou o evento, levando rótulos brasileiros a um público urbano, jovem e interessado em experiências autorais.

A presença da vinícola gaúcha em um bloco paulista evidencia uma mudança de mentalidade na cadeia vitivinícola. Mais do que esperar o consumidor nos territórios tradicionais do vinho, as marcas passam a buscar novos pontos de contato, alinhando produto, ocasião de consumo e estilo de vida.

No Balaco Baco, o vinho deixou de ser coadjuvante e assumiu papel central na celebração, dialogando com música, gastronomia e drinks autorais — uma linguagem mais próxima do público que frequenta o carnaval de rua nas grandes capitais.

Nicho em expansão e leitura estratégica

Os exemplos de Rio Valley, Salton e Cerro de Pedra revelam um movimento mais amplo de reposicionamento do vinho no Brasil. A aposta em embalagens práticas, produtos de menor teor alcoólico e presença em eventos populares contribui para que o setor conquiste novos consumidores sem romper com sua identidade.

Ao ocupar o Carnaval, as vinícolas não apenas ampliam volume de exposição, mas testam formatos, linguagens e ocasiões de consumo que podem se estender para outras festas populares ao longo do ano. Trata-se de um rearranjo que conecta produção, mercado e comportamento do consumidor — e que reposiciona o vinho como uma bebida possível também nos momentos mais populares da cultura brasileira.

 

 

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