
O setor vitivinícola chileno iniciou a temporada 2025–2026 com projeções positivas. O Primeiro Informe de Previsão de Vendimia 2026, elaborado pela Associação Nacional de Ingenieros Agrónomos Enólogos (ANIAE) a pedido da Oficina de Estudos e Políticas Agrárias (ODEPA), estima crescimento de 12% na produção nacional de uvas destinadas à vinificação.
O documento traz uma leitura preliminar das condições produtivas no Chile e serve como referência estratégica para o Brasil, especialmente por se tratar de um dos principais concorrentes do vinho brasileiro no mercado interno e externo.
Segundo o relatório, mesmo sob influência da La Niña, com déficit hídrico e temperaturas acima da média histórica, o desempenho dos vinhedos tem sido considerado majoritariamente favorável. O cenário climático provocou adiantamento dos estágios fenológicos, antecipando o ciclo produtivo, mas sem impactos relevantes sobre a qualidade das uvas até o momento.
A ANIAE destaca que as condições sanitárias dos vinhedos seguem predominantemente boas, com ocorrências pontuais de doenças e pragas, situação semelhante à observada em diversas regiões produtoras do Brasil em anos de maior estresse climático.
Outro ponto relevante é o avanço da produção em novas áreas vitícolas, impulsionado pela entrada em produção de vinhedos recentemente implantados. Ao mesmo tempo, o Chile mantém o processo de redução de áreas tradicionais menos produtivas, buscando maior eficiência, adaptação climática e competitividade internacional — movimento que dialoga com os desafios enfrentados pela vitivinicultura brasileira.
Para o Brasil, o cenário chileno reforça a necessidade de planejamento técnico, investimento em manejo adaptativo e posicionamento estratégico, sobretudo em um contexto de aumento da oferta internacional e intensificação da concorrência nos mercados consumidores.
O relatório completo está disponível no site oficial da ODEPA.
ANÁLISE | Chile x Brasil: cenário climático e produtivo
Chile
- Projeção de +12% na produção de uvas em 2026
- Safra antecipada devido à La Niña e temperaturas mais altas
- Forte foco em eficiência produtiva e novas áreas vitícolas
- Competitividade elevada no mercado internacional
- Modelo exportador consolidado
Brasil
- Produção mais heterogênea e dependente de condições regionais
- Maior exposição a eventos climáticos extremos
- Avanço técnico em novas fronteiras vitivinícolas e dupla poda
- Crescente busca por valor agregado, identidade e qualidade
- Mercado interno estratégico diante da concorrência externa
Ponto de atenção comum
Ambos os países enfrentam mudanças climáticas, necessidade de adaptação no manejo e pressão por competitividade, tornando o acompanhamento técnico e institucional cada vez mais decisivo para o futuro da vitivinicultura sul-americana.
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