A Embrapa Uva e Vinho apresentou duas novas cultivares tintureiras voltadas ao processamento industrial: BRS Lis e BRS Antonella. Desenvolvidas pelo programa de melhoramento genético Uvas do Brasil, as variedades foram avaliadas por mais de dez anos em áreas experimentais e unidades de validação com produtores e cooperativas da Serra Gaúcha — principal polo nacional de uvas para suco e vinho de mesa.
O lançamento conjunto destaca a complementaridade agronômica e industrial das cultivares. Quando utilizadas em conjunto, permitem ajustes mais precisos nos cortes, ampliam eficiência produtiva, reduzem riscos fitossanitários e elevam o padrão tecnológico dos produtos finais.
Vantagens no campo

“Seus cachos soltos contribuem para menor incidência de doenças e maior estabilidade produtiva, favorecendo sistemas de cultivo mais sustentáveis”, analisa a pesquisadora Patrícia Ritschel, coordenadora do programa.
Já a BRS Antonella entrega alto potencial produtivo, com rendimento semelhante ou superior ao das cultivares tradicionais. “A BRS Antonella tem ciclo intermediário e se adapta bem à Serra Gaúcha, o que possibilita uma integração eficiente aos sistemas produtivos já consolidados”, destaca João Dimas Garcia Maia, também coordenador do programa.
Para o viticultor, o uso combinado das duas representa redução de custos com defensivos, maior previsibilidade produtiva e possibilidade de escalonamento de colheita.
Qualidade industrial e valor agregado
No processamento, os diferenciais são evidentes. A BRS Lis apresenta elevada intensidade de cor, acidez equilibrada e alto teor de açúcares. “Por produzir bastante açúcar, os sucos são bastante doces e os vinhos apresentam teor de álcool natural, o que dispensa a adição de sacarose externa na fase de fermentação”, explica o pesquisador Mauro Zanus.
A BRS Antonella contribui com rendimento e reforço de coloração nos cortes industriais. “São sucos e vinhos que incorporam mais coloração, aroma característico de uvas americanas, sabor balanceado e boa estrutura de taninos”, pontua Zanus.
Os estudos indicam elevados índices de polifenóis totais e antocianinas — compostos associados à intensidade de cor, estabilidade oxidativa e potencial antioxidante. “Essa maior concentração de polifenóis e taninos confere aos produtos finais maior estabilidade de cor, melhor resistência à oxidação e maior valor tecnológico”, acrescenta Zanus.
Impacto econômico e autonomia tecnológica
A vitivinicultura brasileira ainda depende majoritariamente de cultivares tradicionais como Isabel, Bordô e Concord. O lançamento amplia o portfólio nacional com materiais adaptados às condições brasileiras.
“A entrega dessas duas cultivares tem alto potencial de impacto para o setor produtivo, pois mantêm características positivas das tradicionais e trazem diferenciais que fortalecem a autonomia tecnológica do setor”, afirma o chefe-geral da Embrapa Uva e Vinho, Adeliano Cargnin.
Segundo o pesquisador José Fernando da Silva Protas, da área de socioeconomia, “as características das novas uvas, aliadas ao bom potencial enológico e desempenho industrial, contribuem para a redução dos custos de produção e maior rentabilidade por área”.
Validação e adoção no campo
A validação envolveu cooperativas como Aurora, São João e Agroindustrial Paraíso. O presidente da Cooperativa Vinícola Aurora, René Tonello, ressalta a importância do modelo adotado. “Queremos assertividade na hora de implantar o vinhedo”, afirma.

Onde adquirir mudas
As mudas de BRS Lis e BRS Antonella estão disponíveis por meio de viveiristas licenciados pela Embrapa, com garantia genética e fitossanitária. A lista atualizada pode ser consultada no site oficial da instituição.


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