
A Embrapa Uva e Vinho apresentou ao setor produtivo a BRS Pérola, nova cultivar de uva branca sem sementes voltada ao mercado de uvas de mesa. Desenvolvida para produtores da Região Sul, a variedade busca ampliar a oferta de uvas para consumo in natura, segmento que vem ganhando espaço em propriedades ligadas ao turismo rural, enoturismo e venda direta ao consumidor.
Avaliações realizadas na Serra Gaúcha e em Santa Catarina, em parceria com a Epagri, indicam potencial produtivo entre 25 e 30 toneladas por hectare quando adotado o sistema de cultivo protegido com cobertura plástica. A cultivar passa a integrar o portfólio de variedades desenvolvidas pela pesquisa pública brasileira, ao lado das BRS Vitória, BRS Isis e BRS Melodia.
Segundo o pesquisador da Embrapa Uva e Vinho João Maia, há espaço para ampliar a produção de uvas finas de mesa na Região Sul, especialmente em propriedades que investem na venda direta ao consumidor.
“O aumento do turismo rural e do enoturismo vem estimulando o plantio de uvas de mesa para comercialização na própria propriedade, muitas vezes no sistema ‘colha e pague’, o que amplia a rentabilidade”, afirma.
A cultivar também foi testada em propriedades comerciais. O viticultor Jair Freiberger, de Alto Feliz (RS), cultiva a BRS Pérola há três anos e observa boa aceitação entre os consumidores. Para ele, características como baga alongada, coloração amarelo vivo e textura crocante tendem a atrair o público, especialmente quem prefere uvas sem sementes.
Características e manejo
A BRS Pérola apresenta bagas alongadas, textura crocante e sabor neutro, com equilíbrio entre açúcares e acidez, características semelhantes às da Thompson Seedless, referência internacional de uvas brancas sem sementes.
Entre os atributos agronômicos está a baixa compacidade dos cachos, que facilita o raleio e reduz a necessidade de mão de obra. De acordo com a pesquisadora Patrícia Ritschel, do programa Uvas do Brasil, as plantas apresentam boa fertilidade de gemas e respondem bem à poda mista, permitindo produtividades de até 30 toneladas por hectare.
Resultado de cruzamento genético realizado em 2004, a cultivar passou por diferentes etapas de avaliação até a definição do sistema produtivo recomendado para o Sul do país.
Na Serra Gaúcha, as bagas alcançam cerca de 18 milímetros de diâmetro após aplicação de ácido giberélico. O ciclo produtivo é de aproximadamente 170 dias, com colheita concentrada em fevereiro, caracterizando-se como uma variedade de ciclo médio.
A recomendação técnica inclui cultivo em sistema de latada, espaçamento de 2,5 metros entre linhas e 2 metros entre plantas, sobre porta-enxerto Paulsen 1103. O uso de cobertura plástica é considerado essencial para proteger os cachos da chuva e garantir qualidade da produção.
Comercialização de mudas
As mudas da BRS Pérola serão inicialmente comercializadas por viveiros licenciados pela Embrapa, como Viecelli Viveiros (SC) e MP Mudas (RS), que já recebem pedidos para produção em 2026.
Segundo o agrônomo Daniel Grohs, responsável pelo Programa de Mudas de Qualidade da Embrapa, os produtores interessados devem realizar a reserva com cerca de um ano de antecedência, já que a produção ocorre sob encomenda.
Expansão do mercado de uva de mesa
O lançamento ocorre em um momento de expansão do mercado de uvas para consumo in natura no Brasil. Além do polo tradicional do Vale do São Francisco, regiões do Sul e Sudeste vêm ampliando a produção voltada à venda direta e a circuitos curtos de comercialização.
A presença de propriedades com turismo rural, enoturismo e experiências de colheita tem impulsionado a demanda por variedades diferenciadas, especialmente uvas sem sementes, que apresentam maior aceitação entre consumidores.

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