
Após anos de expectativa do setor vitivinícola, o primeiro Laboratório de Análise e Certificação de Vinhos do Centro-Oeste já tem data definida para iniciar suas atividades. A inauguração está marcada para 31 de março, em Brasília, segundo confirmou em entrevista ao Portal A Vindima o presidente da Associação Nacional de Produtores de Vinhos de Inverno (Anprovin), Cláudio Góes.
A abertura da unidade representa um novo passo na estruturação da vitivinicultura brasileira fora do eixo Sul, especialmente para atender produtores do Centro-Oeste, do Sudeste e das regiões onde os vinhos de inverno e novos projetos vitícolas vêm ganhando espaço. O laboratório é resultado de uma parceria entre a Anprovin e a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), com investimento superior a R$ 3,4 milhões.
Segundo Góes, o cronograma sofreu ajustes ao longo do processo por uma combinação de fatores administrativos e operacionais, comuns a projetos dessa natureza. Ele explica que, neste momento, o foco está na finalização da montagem dos equipamentos — parte deles importados — e na preparação da equipe técnica que irá operar o laboratório.
“Estamos nos trâmites finais de instalação dos equipamentos e já avançamos na etapa de contratações e treinamentos. Todo esse processo está sendo conduzido por uma profissional especializada, contratada justamente para estruturar a operação. A data de 31 de março já está definida e os convites para a inauguração estão sendo organizados”, afirmou.
Apoio ao produtor e à indústria
O novo laboratório foi concebido para atender prioritariamente as demandas da indústria e dos produtores, oferecendo análises físico-químicas, suporte técnico, consultorias e apoio ao desenvolvimento de processos produtivos. A proposta é atuar como uma ferramenta de qualificação, inovação e ganho de eficiência para vinícolas em expansão, especialmente fora do Sul do país.
Cláudio Góes reforça que a nova estrutura não tem como objetivo substituir o Laboratório de Referência Enológica Evanir da Silva (Laren), no Rio Grande do Sul, que segue cumprindo papel central na fiscalização oficial e no controle de conformidade regulatória.
“O Laren tem uma função oficial e estratégica, especialmente ligada à fiscalização. O laboratório do Centro-Oeste nasce com outra vocação: atender o produtor, a indústria, apoiar o desenvolvimento técnico, oferecer assessorias e, no futuro, buscar credenciamentos. Uma estrutura não exclui a outra — elas se somam”, explica.
Estruturas complementares
Atualmente, o Laren permanece como o laboratório de referência oficial do país, responsável por análises como a identificação de água exógena no vinho e pelo banco histórico de microvinificações que sustenta a fiscalização nacional. Já o laboratório do Centro-Oeste amplia a capacidade técnica do setor, reduz distâncias logísticas e cria um novo ponto de apoio para regiões em crescimento.
A expectativa é que, com o início das operações, o novo laboratório contribua para reduzir prazos, otimizar custos e estimular a profissionalização de projetos vitivinícolas em diferentes regiões do Brasil, acompanhando a diversidade produtiva que hoje marca o vinho brasileiro.

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