Com posse da nova diretoria, Sindivinho-RS quer ampliar presença nos principais debates da vitivinicultura

Gestão 2026–2029 assume com foco em tributação, estoques, defesa comercial e articulação institucional

O Sindicato da Indústria do Vinho do Rio Grande do Sul (Sindivinho-RS) empossou, este mês, sua nova diretoria para o triênio 2026–2029. A gestão passa a ser liderada por José Virgilio Venturini, que já vinha exercendo a presidência interinamente nos últimos anos e agora assume o mandato de forma efetiva.

A nova diretoria assume em um momento considerado estratégico para a indústria vitivinícola, marcado por desafios estruturais como carga tributária elevada, estoques elevados e aumento da concorrência externa.

Entre os movimentos considerados relevantes da nova gestão está a entrada do Sindivinho-RS no Consevitis-RS, instância que reúne entidades representativas da cadeia da uva e do vinho. Até então, o espaço era ocupado majoritariamente por cooperativas e associações de produtores.

Segundo Venturini, a participação no Consevitis-RS representa um avanço institucional importante. “Agora o Sindivinho passa a ter voz ativa em um fórum que está presente em diversas esferas de decisão. Isso amplia nossa capacidade de diálogo e de construção conjunta para o setor”, afirma.

A estratégia da gestão, segundo o presidente, é atuar de forma integrada, fortalecendo a representatividade do sindicato e evitando pautas isoladas. “Sozinho ninguém faz nada. O discurso precisa ser um só, olhando para toda a cadeia produtiva”, destaca.

Tributação e reforma tributária

Entre os temas prioritários da nova diretoria está a tributação do vinho, pauta histórica da indústria, que ganha novos contornos com a implementação da reforma tributária. A indefinição sobre o chamado imposto seletivo gera apreensão no setor.

“Não sabemos ainda o que vai acontecer com o vinho dentro da nova estrutura tributária. Isso gera insegurança e pode tornar a atividade ainda mais onerosa”, avalia Venturini. Para o Sindivinho-RS, o desafio é evitar que o vinho seja penalizado em um contexto já marcado por alta carga tributária e perda de competitividade frente aos importados.

Estoques elevados

Outro ponto sensível destacado pela nova gestão é o nível elevado de estoques, especialmente de suco de uva. De acordo com o presidente do Sindivinho-RS, a queda no consumo em 2025 está associada à redução do poder aquisitivo da população e à maior oferta de sucos de outras frutas no mercado.

Apesar disso, a expectativa para a safra 2026 é positiva. “Tudo indica uma safra histórica, tanto em volume quanto em qualidade, se o clima se mantiver favorável”, afirma Venturini.

O sindicato pretende participar ativamente das discussões sobre estratégias para absorção desses estoques, incluindo estímulo à exportação e outras alternativas já utilizadas em momentos anteriores pelo setor.

Acordo Mercosul–União Europeia

A assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia, no último sábado (17), também está no radar da nova diretoria. Para Venturini, o tratado representa tanto riscos quanto oportunidades para a indústria brasileira de vinhos.

“O risco está na entrada de mais vinhos com preços mais baixos. Mas também há oportunidade de ampliar mercados, especialmente para o suco de uva brasileiro, que tem características únicas de acidez e qualidade”, avalia.

O presidente chama atenção ainda para um problema recorrente: o descaminho de vinhos, especialmente nas fronteiras terrestres. Segundo ele, o setor tem intensificado o diálogo com o governo federal e órgãos de fiscalização, defendendo que produtos apreendidos não retornem ao mercado por meio de leilões.

Produção em outros estados

Venturini também avalia de forma positiva o crescimento da vitivinicultura em outros estados brasileiros. Para ele, a expansão da produção fora do Rio Grande do Sul contribui para fortalecer a cultura do vinho no país e ampliar o mercado consumidor.

“O vinho deixou de ser restrito à Serra Gaúcha. Hoje há produção em praticamente todo o Brasil, muitos focados em vinhos de alta gama. Isso ajuda a mostrar ao consumidor que o Brasil produz vinhos de qualidade”, afirma.

Sobre as mudanças no perfil de consumo — como a busca por vinhos mais leves, brancos e produtos derivados da uva — o presidente defende equilíbrio. “É preciso acompanhar as tendências sem perder a essência. A moda passa, a tradição permanece”, resume.

Formação e renovação como legado

Ao projetar o legado da gestão até 2029, Venturini destaca a importância da capacitação e da formação de novas gerações. Para ele, o futuro do setor passa pelo investimento em conhecimento, intercâmbio e qualificação técnica.

“Temos uma juventude muito preparada, enólogos e sommeliers com vivência internacional. Nosso papel é abrir espaço e preparar essa nova geração para dar continuidade ao desenvolvimento da indústria”, afirma.

A nova diretoria do Sindivinho-RS assume, assim, com o desafio de ampliar sua presença institucional, atuar de forma articulada com outras entidades e contribuir para o fortalecimento da indústria vitivinícola gaúcha em um cenário de transformações no mercado nacional e internacional.

Nova diretoria do Sindivinho-RS (2026–2029)

Presidente: José Virgilio Venturini

Vice-presidentes: Benildo Perini, Júlio Gilberto Fante e João Carlos Zanotto

Secretário: Guilherme Pedrucci

Tesoureiros: Eumar Viapiana e Irineu Francescatto

Conselho Fiscal: Neudir Angelo Scopel, Elenir Antonio Cesca e Rogério Beltrame

Suplentes do Conselho Fiscal: Vinícius Gelain Tonet, Francisco Vaccaro Neto e Cristiane Passarin

Diretor Executivo: Gilberto Pedrucci

 

 

Quem acompanha o Portal A Vindima por e-mail terá acesso antecipado a artigos exclusivos sobre os temas mais relevantes da vitivinicultura brasileira! Cadastre-se no campo ‘Receba as notícias por e-mail e fique atualizado’ no final desta página!

Compartilhe:

Deixe um comentário

Município da Serra Gaúcha recebeu autoridades e entidades do setor; Projeto de Lei nº 4.469/2025 propõe o título de Capital...
Iniciativa da APEG propõe reconhecimento legal do espumante e de todo o sistema produtivo como política pública municipal...
Vinícola entra no segmento de bebidas sem álcool com produtos elaborados a partir de vinho, seguindo tendência global de mudança...