
O vinho brasileiro encerrou 2025 com 564 premiações conquistadas em concursos internacionais realizados em 12 países, consolidando um desempenho que reforça a evolução técnica do setor, a diversidade de estilos e a competitividade frente aos principais produtores globais. Os dados são da Associação Brasileira de Enologia (ABE), responsável por coordenar o envio de amostras para as principais disputas do calendário mundial.
Do total, as distinções vieram de concursos realizados na Argentina, Canadá, Chile, China, Espanha, França, Hungria, Itália, Moldávia, Reino Unido, Suíça e Uruguai, ampliando a visibilidade dos vinhos brasileiros em mercados estratégicos para exportação e posicionamento de marca.
Para o presidente da ABE, enólogo Mário Lucas Ieggli, os resultados refletem um movimento consistente de amadurecimento do setor. “As premiações confirmam que o Brasil produz vinhos e espumantes de excelência, capazes de se destacar em competições rigorosas e avaliadas por jurados de diferentes escolas enológicas. Também nos mostram um movimento que celebramos muito: cada vez mais estados figuram entre os premiados, ampliando o alcance e a representatividade do vinho brasileiro”, destaca.
Entre os concursos de maior impacto global, realizados no Reino Unido, o Brasil obteve um desempenho expressivo. Somente no Decanter World Wine Awards, International Wine Challenge e International Wine & Spirits Competition, os rótulos brasileiros somaram 238 premiações, reforçando a presença do país em um dos principais polos formadores de opinião do mercado mundial de vinhos.
Além disso, concursos especializados como Vinalies Internationales, Bacchus, Mondial de Bruxelles, Effervescents du Monde, Catad’Or e Vinus seguiram confirmando a regularidade do desempenho brasileiro, especialmente na categoria de espumantes, que mantém uma trajetória consistente de reconhecimento internacional ao longo da última década.
Esse desempenho ganha ainda mais relevância em um contexto de maior exposição ao mercado externo, especialmente diante da iminência da assinatura do acordo Mercosul–União Europeia, adiada para janeiro. A participação e o reconhecimento em concursos internacionais funcionam como um instrumento estratégico para fortalecer a imagem do vinho brasileiro, reduzir assimetrias competitivas e ampliar a confiança de importadores, distribuidores e consumidores estrangeiros.
O levantamento da ABE também evidencia a diversidade geográfica da vitivinicultura nacional. O Rio Grande do Sul segue como principal protagonista. Ao mesmo tempo, cresce a presença de outras regiões produtoras com destaque para São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina, Goiás, Bahia, Pernambuco, Rio de Janeiro e Paraná.
Esse avanço reforça a consolidação das novas fronteiras vitivinícolas brasileiras, sustentadas por pesquisa, inovação agronômica, adaptação climática e modelos produtivos diferenciados, ampliando o portfólio nacional e fortalecendo o posicionamento do Brasil como produtor plural e competitivo.
Papel estratégico da ABE na projeção internacional
A ABE desempenha papel central nesse processo ao coordenar o envio de amostras, selecionar concursos com reconhecimento técnico internacional e manter diálogo permanente com organizadores e júris. Sempre que possível, a entidade também indica enólogos brasileiros para integrar painéis de degustação, fortalecendo o intercâmbio técnico e a atualização profissional do setor.
Em um cenário de crescente concorrência internacional e de possível ampliação do acesso de vinhos estrangeiros ao mercado brasileiro, os 564 prêmios internacionais conquistados em 2025 se consolidam como um ativo estratégico para a cadeia vitivinícola nacional. Mais do que troféus, os resultados funcionam como instrumento de posicionamento, defesa de mercado e valorização da produção brasileira, mostrando que o país não apenas produz, mas compete em alto nível no cenário global do vinho.
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