Wine South America destaca novos consumidores e avanço do vinho brasileiro

Frisantes, vinhos brancos e espumantes ganham força enquanto feira reúne compradores e mais de 400 marcas em Bento Gonçalves
Cesar Silvestro/Divulgação

 A Wine South America (WSA) começou nesta terça-feira (12), em Bento Gonçalves (RS), consolidando-se como um dos principais termômetros do mercado vitivinícola da América Latina. Além do ambiente de negócios, a edição de 2026 reforça mudanças importantes no comportamento do consumidor brasileiro e nas estratégias comerciais adotadas por vinícolas e distribuidoras.

Com mais de 400 marcas expositoras nacionais e internacionais, a expectativa da organização é movimentar cerca de R$ 110 milhões em negócios ao longo dos três dias de evento. A feira reúne aproximadamente 7 mil compradores, importadores, distribuidores, supermercadistas, varejistas e profissionais da cadeia da uva e do vinho.

Dados apresentados pela Ideal BI Consulting durante o painel “O Raio-X do Mercado de Vinhos” mostram que o setor movimentou aproximadamente R$ 21,1 bilhões em 2025, crescimento de 9% em relação ao ano anterior.

O avanço foi puxado principalmente por produtos de maior valor agregado. Embora o vinho de mesa continue liderando em volume, os vinhos finos importados concentram 54% do faturamento do setor no Brasil. Os vinhos de mesa representam 31%, enquanto os espumantes nacionais respondem por 8% da movimentação financeira do mercado.

Os números reforçam um movimento importante para produtores e varejistas: o consumidor brasileiro segue ampliando interesse por produtos de maior valor, maior experiência e categorias mais premium.

Ao mesmo tempo, a feira evidencia uma mudança estratégica no perfil de consumo nacional. Produtos mais leves, refrescantes e de menor teor alcoólico aparecem entre as principais apostas do setor para ampliar mercado e conquistar novos consumidores.

O Grupo Verano, responsável pelas marcas Garziera e Rio Valley, relata crescimento do consumo de frisantes em regiões historicamente menos ligadas à cultura do vinho, especialmente no Nordeste.

Segundo a empresa, campanhas de ativação realizadas durante o Carnaval e festas de São João têm ampliado o consumo em estados como Ceará e Maranhão, utilizando os frisantes como porta de entrada para novos consumidores da categoria.

A estratégia acompanha um comportamento identificado pela própria Ideal BI. O Nordeste aparece hoje como uma das regiões mais estratégicas para expansão do mercado de espumantes no Brasil.

Os dados apresentados na WSA mostram que o Sudeste segue liderando o consumo de vinhos em volume, concentrando quase metade do mercado nacional da categoria. Já o Sul mantém uma característica própria, com forte presença dos espumantes.

O destaque, porém, está no Nordeste. Mesmo representando 13% do mercado de espumantes, a região aparece como o principal motor de crescimento da categoria no país, indicando uma oportunidade importante de abertura de mercado para produtores e marcas que buscam novos consumidores.

Durante o painel, o empresário Eduardo Valduga destacou que os vinhos brancos e espumantes acompanham uma tendência global de consumo ligada à leveza, refrescância e menor graduação alcoólica.

“O vinho branco combina muito com o perfil climático e gastronômico brasileiro. São bebidas mais leves, versáteis e com menor graduação alcoólica, características que aproximam novos consumidores do vinho”, afirmou.

Segundo ele, o crescimento dos espumantes também acompanha mudanças de hábito e ampliação das ocasiões de consumo.

Os dados da Ideal BI mostram ainda que o consumo per capita brasileiro voltou ao patamar de 3 litros anuais, crescimento de 7% sobre o ano anterior e avanço de 35% na última década. Os espumantes atingiram nova máxima histórica no mercado brasileiro, enquanto as mulheres já representam 57% do público consumidor da categoria.

Além das mudanças no consumo, a WSA também reforça a expansão geográfica da vitivinicultura brasileira. A feira reúne mais de 280 marcas nacionais de nove estados brasileiros, incluindo Goiás, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais e Distrito Federal.

Ao mesmo tempo, a presença internacional segue crescendo. Mais de 20 países participam da edição de 2026, incluindo estreias como Alemanha e Nova Zelândia. A Itália concentra uma das maiores delegações estrangeiras da feira, reunindo 32 empresas de 14 regiões italianas e mais de 62 milhões de garrafas em portfólio.

Para produtores, varejistas e distribuidores, a Wine South America deste ano reforça um cenário de transformação do setor, marcado pela profissionalização, busca por novos consumidores, regionalização do mercado e fortalecimento de categorias consideradas mais acessíveis ao público brasileiro.

Cesar Silvestro/Divulgação

 

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