O avanço do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, aprovado provisoriamente pelos países do bloco europeu e agora em fase final de assinatura, acendeu um sinal de alerta no setor vitivinícola brasileiro. Responsável por mais de 90% da produção nacional de vinhos e espumantes, além de concentrar a maior parte das exportações do setor, o Rio Grande do Sul lidera o posicionamento institucional que pede reação imediata do Brasil para evitar perdas estruturais à cadeia produtiva.
Em manifestação pública, o Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis-RS) afirmou acompanhar de forma permanente a evolução do acordo e reconheceu sua relevância estratégica para o país. O setor avalia que a ampliação do acesso a mercados internacionais e o fortalecimento das relações comerciais são positivos, sobretudo para uma economia que busca maior inserção global.
No entanto, as entidades que representam a cadeia da uva e do vinho deixam claro que o impacto sobre a vitivinicultura será direto e sensível. A redução gradual — e, em alguns casos, a eliminação — das tarifas de importação para vinhos europeus tende a ampliar a presença de rótulos estrangeiros no mercado brasileiro, intensificando uma concorrência já considerada desigual.
A preocupação central do setor não está no acordo em si, mas nas condições internas de competitividade. Enquanto países produtores como Itália, Espanha e Portugal reconhecem o vinho como alimento, patrimônio cultural ou produto estratégico, oferecendo políticas de incentivo, proteção agrícola e cargas tributárias mais equilibradas, o vinho brasileiro segue submetido a uma das mais altas tributações do mundo e a um ambiente regulatório complexo.
Para as entidades, permitir que o acordo avance sem ajustes internos pode aprofundar um desequilíbrio que já afeta produtores, cooperativas e vinícolas. O impacto vai além da indústria, atinge uma cadeia fortemente baseada na agricultura familiar, com milhares de famílias envolvidas desde o cultivo da uva até a elaboração de vinhos, espumantes e sucos, além de atividades complementares como o enoturismo, que desempenha papel relevante na geração de renda e desenvolvimento regional.
Nesse contexto, o setor defende que a abertura comercial seja acompanhada de políticas públicas estruturantes. Entre os pontos considerados prioritários estão a revisão da carga tributária sobre o vinho nacional, a criação de instrumentos efetivos de seguro agrícola e vinícola e medidas que garantam isonomia competitiva frente aos produtos importados. O suco de uva, produto estratégico para o Brasil e com forte relevância social e nutricional, também é citado como segmento que exige atenção específica.
O posicionamento é assinado pelo presidente do Consevitis-RS, Luciano Rebellatto, e pelo vice-presidente Daniel Panizzi, com respaldo de entidades representativas da cadeia produtiva, como a Associação Gaúcha de Vinicultores (Agavi), a Federação das Cooperativas Vinícolas do Rio Grande do Sul (Fecovinho), a União Brasileira de Vitivinicultura (Uvibra) e a Comissão Interestadual da Uva (ACIU).
Leia o documento na íntegra aqui.
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