Com cerca de 60 propriedades distribuídas em 30 municípios, a Rota Uva & Vinho Paraná surge como um novo modelo de organização da vitivinicultura brasileira. A iniciativa integra produtores, turismo e poder público em uma estratégia que busca valorizar a produção regional de uvas, vinhos e sucos, ampliar o enoturismo e gerar novas oportunidades econômicas no campo.
Mais do que um roteiro turístico, a proposta é posicionar o estado como destino emergente no enoturismo brasileiro, ampliando a visibilidade dos vinhos paranaenses e criando novas oportunidades de renda para produtores, especialmente da agricultura familiar.
Segundo Sidney Valeriano, coordenador estadual de Turismo Rural do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR), a rota faz parte de uma estratégia mais ampla de fortalecimento da cadeia produtiva da uva e do vinho no estado.
“A rota surge para organizar e fortalecer a vitivinicultura paranaense, conectando produtores e incentivando experiências turísticas nas propriedades. Isso amplia a comercialização e gera novas oportunidades de renda para o agricultor”, explica.
A criação da rota está integrada ao Programa de Revitalização da Viticultura Paranaense (Revitis), política pública criada para estimular a produção de uvas e derivados, incentivar a agroindustrialização e ampliar a presença do vinho paranaense no mercado.
Desde sua criação, o programa já beneficiou centenas de produtores familiares e fomentou investimentos superiores a R$ 9 milhões no setor.
A estratégia aposta no enoturismo como ferramenta para agregar valor à produção rural. Na prática, as propriedades participantes passam a oferecer atividades como degustações, visitas guiadas, participação na vindima, experiências gastronômicas e o modelo “colha e pague”.
“Quando o turismo chega à propriedade, o produtor deixa de vender apenas a uva ou o vinho e passa a vender experiência. Isso aumenta o valor agregado do produto e fortalece a economia local”, afirma Valeriano.
Vitivinicultura em expansão
A viticultura paranaense vive um momento de reorganização e crescimento. Atualmente, o estado possui cerca de 4 mil hectares de vinhedos e produção anual superior a 45 mil toneladas de uva.
O Valor Bruto de Produção (VBP) da cultura da uva gira entre R$ 260 milhões e R$ 320 milhões por ano, dependendo da safra.
Embora a área cultivada tenha diminuído em relação ao pico registrado na década passada, iniciativas recentes indicam uma retomada da atividade com foco em qualidade, diversificação de produtos e integração com o turismo rural.
Hoje a produção de uvas está presente em mais de 130 municípios paranaenses, predominando pequenas propriedades familiares.
Esse perfil facilita a integração com o enoturismo, já que muitas propriedades adotam modelos de venda direta e experiências turísticas.
Integração entre turismo e agricultura
A Rota Uva & Vinho conecta vinícolas, vinhedos e empreendimentos turísticos em diferentes regiões do estado, da Região Metropolitana de Curitiba ao Oeste e Sudoeste.
Além da produção vitivinícola, a iniciativa envolve restaurantes, pousadas, hotéis, operadores turísticos e comércio local, criando um efeito multiplicador na economia regional.
“O impacto não se limita à produção de uva ou vinho. A rota movimenta gastronomia, hospedagem, transporte e serviços, fortalecendo toda a economia local”, afirma Valeriano.
Experiências semelhantes em roteiros rurais do Paraná já demonstraram capacidade de gerar empregos e ampliar a circulação econômica nos municípios.
Ciência, inovação e identidade territorial
O projeto também envolve parcerias com instituições de pesquisa e entidades do setor para qualificar a produção e o turismo.
Entre os parceiros estão a Associação dos Vitivinicultores do Paraná (Vinopar) e o TerroirTur, projeto da Universidade Federal do Paraná (UFPR) voltado à pesquisa em viticultura, enologia e identidade territorial.
Essas iniciativas contribuem para melhorar técnicas de cultivo, fortalecer a qualidade dos vinhos produzidos no estado e desenvolver estudos sobre o terroir paranaense.
“Essas parcerias permitem que os produtores adotem práticas modernas e sustentáveis e fortaleçam a competitividade do vinho paranaense”, explica o coordenador.
Experiências autênticas como diferencial
Uma das apostas do Paraná é oferecer experiências turísticas mais próximas do cotidiano das propriedades familiares.
A proposta inclui desde degustações e visitas guiadas até atividades gastronômicas, piqueniques em vinhedos, colheita de uvas e eventos culturais ligados à imigração europeia.
A viticultura paranaense tem forte influência das imigrações italiana e polonesa, herança cultural que também se reflete na gastronomia e nas tradições locais.
“Queremos mostrar que o Paraná tem identidade própria na vitivinicultura. O visitante encontra vinhos, sucos, gastronomia regional e a história das famílias produtoras”, diz Valeriano.
Estratégia de longo prazo
A visão do governo estadual é consolidar o Paraná como um destino relevante no mapa do enoturismo brasileiro, apostando em qualidade, experiências diferenciadas e produção artesanal.
Entre as estratégias estão a qualificação de produtores para receber visitantes, padronização da identidade da rota, participação em feiras nacionais e promoção do vinho paranaense em eventos do setor.
“A ideia é construir um modelo de desenvolvimento sustentável, que fortaleça a vitivinicultura, gere renda no campo e valorize o patrimônio cultural das regiões produtoras”, afirma Valeriano.
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