Irriga+RS abre edital para ampliar irrigação no campo

Programa apoia projetos com até R$ 150 mil e incentiva modernização da uva e hortifrúti no RS

 

A abertura da terceira fase do programa Irriga+RS coloca novamente a irrigação no centro das estratégias para reduzir perdas e aumentar a produtividade no campo gaúcho. Com apoio financeiro de até 20% do valor do projeto, limitado a R$ 150 mil por produtor rural, o programa busca ampliar a área irrigada em culturas de sequeiro e estimular a reservação de água nas propriedades.

A iniciativa é coordenada pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul e está com edital aberto até 30 de outubro de 2026. O recurso é pago diretamente ao produtor, em parcela única, após a execução do projeto e a apresentação da documentação exigida.

O programa contempla projetos de implantação ou ampliação de sistemas de irrigação, nas modalidades por aspersão, localizada ou por sulcos, além da construção, adequação ou ampliação de reservatórios de água para uso na irrigação. Podem participar produtores rurais pessoa física, com projetos financiados por instituições de crédito ou executados com recursos próprios.

Apesar do avanço recente da irrigação em culturas como soja e milho, os índices ainda são considerados baixos no Rio Grande do Sul. Na safra 2023/24, apenas 3,2% da área de soja e 15% do milho grão contavam com irrigação. O crescimento nos últimos anos é expressivo, com aumento de 65% na área irrigada de soja e 52% no milho entre 2020 e 2024, mas ainda insuficiente diante das perdas recorrentes causadas pela estiagem.

Na vitivinicultura e na hortifruticultura, a realidade é ainda mais desafiadora. Grande parte das propriedades opera com irrigação manual ou com baixo nível de automação, cenário agravado pela falta de mão de obra e pelas dificuldades de sucessão familiar.

Para o diretor da DG Aggro, Deonir Ortigara, o programa chega em um momento decisivo para a modernização do campo. “Muitas propriedades ainda dependem de irrigação manual, principalmente na produção de uva e hortifrúti. São produtores mais envelhecidos, com dificuldade de mão de obra e pouca inserção de tecnologia. O Irriga+RS cria uma oportunidade concreta de modernizar essas áreas e garantir mais segurança produtiva”, afirma.

Segundo Ortigara, a adoção de sistemas de irrigação localizada e automatizada permite ganhos diretos em produtividade, uso eficiente da água e estabilidade de safra. “A irrigação deixou de ser um custo e passou a ser uma ferramenta de gestão. Com um projeto bem dimensionado, o produtor consegue produzir melhor, reduzir perdas e ter mais previsibilidade”, destaca.

Com sede em Flores da Cunha e atuação na Serra e na Campanha Gaúcha, a DG Aggro está habilitada para elaboração de projetos dentro do programa. A empresa atua desde o levantamento técnico da área até a entrega do projeto completo, incluindo memorial descritivo, planta e orçamento, conforme exigências do edital.

O processo para participação começa com a definição da área a ser irrigada e a busca por um responsável técnico habilitado. A partir disso, é elaborado o projeto com base nas características da propriedade, considerando fatores como solo, relevo, disponibilidade hídrica e cultura implantada. O envio é realizado de forma digital pelo Portal Irriga+RS, mediante apresentação de documentos técnicos, ambientais e fiscais.

Após a análise e aprovação pela equipe técnica do Estado, o produtor executa o projeto dentro do prazo estabelecido. A liberação do recurso ocorre após a conclusão da implantação, com apresentação de laudo técnico e comprovação dos investimentos realizados.

A seleção dos projetos segue a ordem cronológica de envio, respeitando os critérios técnicos e a disponibilidade orçamentária, o que reforça a importância de organização antecipada por parte dos produtores.

“O produtor precisa se planejar e buscar apoio técnico o quanto antes. Quem entra com um projeto bem estruturado e dentro das exigências tem mais chances de avançar no processo. A irrigação hoje é um seguro produtivo diante das mudanças climáticas”, ressalta Ortigara.

Além de contribuir para a estabilidade da produção, o programa também tem impacto direto na economia do Estado, ao fortalecer cadeias produtivas como a vitivinicultura, a produção de frutas e a produção de grãos, especialmente o milho, estratégico para o abastecimento das cadeias de proteína animal.

Com o edital em andamento, a expectativa do setor é de aumento significativo na adoção de sistemas de irrigação e na capacidade de enfrentamento das estiagens nos próximos ciclos produtivos.

Quem acompanha o Portal A Vindima por e-mail terá acesso antecipado a artigos exclusivos sobre os temas mais relevantes da vitivinicultura brasileira! Cadastre-se no campo ‘Receba as notícias por e-mail e fique atualizado’ no final desta página!

Compartilhe:

Deixe um comentário

Medida prevê retirada de 120 milhões de litros e integra plano nacional para o setor...
Importações caem em 2025 e refletem pressão no consumo e nos preços...
Zegla aponta foco em eficiência, automação e retorno nos projetos...