Suco de uva lidera crescimento nas vendas do setor em 2026

Comercialização avança 20% no trimestre, mas vinícolas mantêm cautela para o restante do ano

 

A comercialização de produtos vitivinícolas no mercado interno brasileiro registrou crescimento médio de 20% no primeiro trimestre de 2026, impulsionada principalmente pelo avanço do suco de uva integral, que teve aumento de 53,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Os dados são do Sisdevin, da Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul, compilados pela Central das Cooperativas da Serra Gaúcha (CNECOOP/Fecovinho), e refletem um início de ano aquecido para a cadeia da uva e do vinho.

Além do desempenho do suco integral, o levantamento aponta crescimento de 18,5% no suco concentrado, 12,6% nos vinhos de mesa e cerca de 9% nos vinhos finos e espumantes.

O resultado reforça um movimento que vem sendo observado nos últimos anos, especialmente no mercado de derivados de uva ligados ao consumo cotidiano e à busca por produtos associados à saudabilidade.

Apesar dos números positivos, lideranças do setor mantêm cautela em relação ao restante do ano. O presidente do Conselho de Administração da Vinícola Casa Perini, Franco Perini, avalia que um único trimestre ainda não permite projetar o comportamento de 2026 como um todo, sendo necessário considerar fatores que podem interferir no mercado, desde questões climáticas até o comportamento do consumo ao longo do ano.

Segundo ele, a Casa Perini vem registrando desempenho acima da média nos espumantes e estabilidade nas vendas de vinhos. No caso do suco de uva, a estratégia da vinícola foi direcionada ao segmento premium.

A maior safra da história recente da vitivinicultura brasileira também aparece como um dos fatores que podem influenciar o mercado ao longo do ano. Para Perini, o volume elevado de uvas amplia a possibilidade de seleção de matéria-prima de qualidade e fortalece a formação de estoques.

“O aspecto positivo nas safras grandes é a possiblidade de escolher, de comprar matéria prima de boa qualidade e ter produtos em estoque de alto padrão. Isto pode impulsionar positivamente as vendas”, afirma.

Na Vinícola Campestre, de Vacaria e Campestre da Serra, a leitura também é de prudência. O gerente geral e enólogo-chefe André Donatti observa que abril já apresentou desaceleração no ritmo das vendas.

“Ainda é cedo para ter uma ideia de como será o ano. O comprador do supermercado sabe que tem estoque, mas não enxerga os custos em alta e por isso pressiona por preços menores”, aponta.

Responsável por cerca de 22% do volume total de vinho gaúcho comercializado, a Campestre acompanha com atenção o comportamento do mercado de suco de uva. Para Donatti, parte do crescimento do concentrado pode estar ligada à necessidade de reduzir estoques e abrir espaço para a nova safra.

Já o avanço dos vinhos de mesa é visto como um resultado positivo, embora o desafio esteja na manutenção desse ritmo ao longo dos próximos meses.

A Copa do Mundo também aparece no radar das vinícolas como possível vetor de consumo, especialmente para os espumantes. Franco Perini acredita que os horários dos jogos e o período do inverno podem favorecer encontros e momentos de consumo.

“O espumante tem ganhado força neste tipo de evento e as janelas dos jogos são em horários favoráveis para as pessoas se reunir, o que pode estimular a venda de vinhos”, avalia.

Ao mesmo tempo, o setor acompanha fatores que podem impactar o segundo semestre, como a possibilidade de intensificação dos efeitos do El Niño, o cenário econômico e os desdobramentos da reforma tributária sobre o preço final das bebidas.

“A reforma tributária ainda é uma incógnita em relação à carga efetiva que será aplicada aos produtos”, pondera Perini.

Enquanto o mercado monitora esses movimentos, o setor já se prepara para um dos principais encontros da cadeia vitivinícola brasileira. Entre os dias 12 e 14 de maio, Bento Gonçalves recebe a Wine South America (WSA), feira que reunirá mais de 400 expositores nacionais e internacionais.

Além da área de negócios, a programação terá painéis, wine talks e workshops voltados a temas como inteligência de mercado, reforma tributária, consumo, sustentabilidade e e-commerce.

“Praticamente triplicamos o número de conteúdos em relação à edição anterior e estruturamos uma agenda mais robusta para ampliar a geração de valor aos visitantes”, afirma Diego Bertolini, sócio do Grupo Venda Mais Vinho, responsável pela curadoria de conteúdo do evento.

A expectativa do setor é que a WSA funcione como termômetro para entender o comportamento do mercado nos próximos meses, em um ano que começa positivo nos números, mas ainda cercado de cautela dentro da vitivinicultura brasileira.

 

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