Nova tecnologia preserva aroma e sabor em vinho desalcoolizado

Processo de quarta geração amplia o mercado e torna a bebida acessível a consumidores que buscam bem-estar sem renunciar à experiência do vinho
Enólogo Gabriel Carissimi e o curador Silvio Bugelli. Imagem: Divulgação

Durante séculos, o vinho esteve presente em celebrações, encontros e à mesa das famílias. Nos últimos anos, porém, uma nova tendência de consumo vem ganhando espaço em diversos países: a busca por produtos com menos álcool, alinhados a hábitos mais saudáveis e ao consumo consciente. Atenta a esse movimento, a Cooperativa Agroindustrial Pradense (Cooprado), passou a produzir o Permitø, um vinho elaborado por fermentação tradicional e posteriormente desalcoolizado por meio de um sistema de osmose inversa por membranas de separação molecular, em baixa temperatura, uma tecnologia nacional de quarta geração.

O grande diferencial do processo está na preservação das características sensoriais da bebida. Ao contrário dos métodos mais antigos, que comprometem aromas e sabores, a nova tecnologia utiliza um sistema de separação de alta precisão capaz de remover o álcool sem descaracterizar o vinho.

A inovação foi desenvolvida no Brasil pela empresa Triio Co., de Joinville (SC), especializada em sistemas industriais de alta precisão para as indústrias alimentícia e farmacêutica. O equipamento foi criado exclusivamente para a desalcoolização de vinhos e permite preservar compostos aromáticos, manter o equilíbrio da bebida e viabilizar a produção em escala, tornando o produto economicamente competitivo.

Antes de chegar ao processo de desalcoolização, porém, o vinho passa por uma elaboração criteriosa. O vinho-base é desenvolvido e preparado especificamente para suportar a etapa de retirada do álcool sem perder qualidade.

A criação do Permitø surgiu a partir da iniciativa do pesquisador e empreendedor Silvio Bugelli, que identificou a oportunidade de desenvolver um vinho desalcoolizado capaz de preservar a experiência sensorial da bebida. “A proposta não é substituir o vinho tradicional, mas criar uma nova categoria voltada à inclusão de consumidores que não ingerem álcool por opção, convicção religiosa, questões de saúde ou por situações específicas do cotidiano,” explica Bugelli.

Com teor alcoólico eliminado, o vinho pode ser consumido por quem vai dirigir, por gestantes — desde que com orientação médica — e por pessoas que desejam participar dos momentos de convivência sem consumir bebidas alcoólicas. A proposta acompanha uma tendência mundial de valorização do bem-estar e da moderação no consumo.

Para o Presidente da Cooperativa, a implantação dessa inovação tecnológica pela cooperativa amplia suas possibilidades, criando novos mercados e aproximando o vinho de um público cada vez mais diversificado.

 

 

Quem acompanha o Portal A Vindima por e-mail terá acesso antecipado a artigos exclusivos sobre os temas mais relevantes da vitivinicultura brasileira! Cadastre-se no campo ‘Receba as notícias por e-mail e fique atualizado’ no final desta página!

Compartilhe:

Método de três safras avalia sanidade, maturação e expressão no vinho antes de qualquer decisão de plantio em escala comercial...
Terceira apreensão expressiva de vinho descaminhado no oeste catarinense em menos de um mês expõe rota consolidada pela fronteira com...
Dados do primeiro semestre de 2026 mostram Brasil e Mercosul na contramão da queda global do vinho italiano, que retraiu...