
O Espírito Santo passa a investir de forma estruturada na vitivinicultura. O Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural, o Incaper, iniciou um projeto de pesquisa com investimento de R$ 550,5 mil do governo estadual, por meio da Secretaria da Agricultura, voltado à produção de uvas para vinhos finos nas regiões serranas do estado. O projeto tem duração de 48 meses e integra o programa Vines, desenvolvido em parceria com Sebrae-ES, Senac e Senar-ES.
A pesquisa avaliará 10 cultivares, sendo oito de uvas finas e duas híbridas, em três unidades experimentais. Entre as tecnologias testadas está a dupla poda, técnica que inverte o ciclo da videira para concentrar a maturação e a colheita no inverno, período com menor incidência de chuvas e maior amplitude térmica. O mesmo sistema utilizado nos vinhos de inverno que vêm ganhando espaço no Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste brasileiro será agora avaliado nas condições específicas das serras capixabas.
O monitoramento cobre condições climáticas, produtividade, fertilidade das plantas e qualidade dos frutos, com análises de teor de açúcar, acidez, antocianinas, fenóis e taninos. O projeto também acompanhará pragas e doenças fúngicas e testará estratégias de manejo sustentável com foco na redução do uso de agrotóxicos. As uvas produzidas passarão por vinificações em cantinas parceiras da região serrana, fechando o ciclo da pesquisa até o produto final.
O cronograma prevê os primeiros resultados sobre dados agroclimáticos e desenvolvimento das plantas entre o oitavo e o 12º mês. A validação de protocolos de poda e manejo fitossanitário deve ocorrer entre o 18º e o 36º mês, com ações de capacitação e transferência de tecnologia aos produtores a partir do 18º mês. “Queremos transformar o conhecimento técnico e científico gerado pela pesquisa em orientações e capacitações que possam ser aplicadas pelos produtores”, explica a pesquisadora do Incaper Girlaine Pereira Oliveira.
O projeto busca oferecer base científica para reduzir os riscos de produtores que já atuam na atividade e dar segurança técnica a novos investimentos, especialmente de agricultores familiares das regiões mais frias do Espírito Santo. A iniciativa representa uma aposta do estado em estruturar sua vitivinicultura com pesquisa antes de escalar a produção, caminho que outras regiões emergentes do Brasil percorreram de forma invertida.
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