Chile perde 6,2 mil hectares de vinhedos e Cabernet Sauvignon registra mínimo histórico

Levantamento do setor aponta retração de 5,3% na área vinificável; desde 2021, o país perdeu 15% de sua superfície vitivinícola

 

O Chile perdeu 6.194 hectares de vinhedos vinificáveis em 2025, reduzindo sua área total de 116.962 para 110.768 hectares, queda de 5,3% em relação ao levantamento anterior. Os dados são do Catastro Vitícola 2025 do Servicio Agrícola y Ganadero (SAG), publicado este mês. A retração segue uma tendência iniciada em 2015 e, desde 2021, o país acumula perda de 19.318 hectares, o equivalente a 15% da área que tinha há quatro anos.

A perda do ano passado se concentra em duas regiões. O’Higgins e Maule respondem juntas por 5.087 hectares a menos, cerca de 82% da queda nacional. O’Higgins registrou redução de 8,2%, a maior proporcionalmente entre as regiões produtoras, e o Maule, maior região vitícola do país com 46.435 hectares, recuou 4,4%. Na contramão, Coquimbo e La Araucanía registraram pequenos avanços.

A variedade mais afetada foi o Cabernet Sauvignon, que perdeu 2.828 hectares em um único ano e ficou abaixo de 30 mil hectares pela primeira vez, encerrando 2025 com 29.262 hectares. A queda da variedade explica 46% de toda a retração registrada no levantamento. Merlot (-704 ha), Carménère (-622 ha) e Syrah (-497 ha) também registraram quedas expressivas. As uvas tintas concentraram 94% das perdas, enquanto as brancas permaneceram praticamente estáveis, com o Sauvignon Blanc recuando apenas 4 hectares.

O levantamento não aponta as causas da redução. A tendência de queda, no entanto, é consistente com o encolhimento do mercado interno chileno e a pressão sobre preços de uvas a granel nas principais regiões produtoras, que nos últimos anos levou produtores a abandonar vinhedos menos rentáveis.

Para o setor brasileiro, a retração chilena é dado relevante. O Chile é o principal país de origem dos vinhos importados consumidos no Brasil e a diminuição da área plantada, especialmente em tintos de maior circulação comercial como Cabernet Sauvignon e Carménère, tende a pressionar a oferta no médio prazo.

 

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