
O enoturismo movimentou cerca de US$ 49,6 bilhões no mundo em 2025 e deve dobrar até o início da próxima década, segundo Research and Markets. No Brasil, o Rio Grande do Sul registrou alta de 57,8% no número de atividades vendidas em 2025 em relação ao ano anterior, com cerca de 71 mil atividades comercializadas por 138 parceiros, segundo a plataforma Wine Locals. O Vale dos Vinhedos já recebe mais de 450 mil visitantes por ano. O dinheiro está crescendo, mas a experiência que o visitante encontra na ponta depende de quem o recebe, e esse elo ainda carece de formação estruturada.
É essa lacuna que o setor começa a endereçar. Nas vinícolas pesquisadas pelo Global Wine Tourism Report 2025, o turismo responde em média por 25% da receita global das propriedades, chegando a 34% entre as vinícolas brasileiras que já estruturaram a atividade. Com 73% das propriedades esperando crescer nesse segmento, crescimento de demanda sem capacitação proporcional da oferta cria gargalos na experiência e limita a competitividade dos destinos.
A Escola de Enoturismo opera com um modelo de resposta a esse cenário. Em parceria com associações de produtores, oferece formações presenciais dentro do próprio território, reunindo em sala de aula profissionais de vinícolas, hospedagens, gastronomia e comércio de uma mesma região. Uma associação de produtores de Minas Gerais já recebeu a capacitação, e a instituição está firmando novos acordos com mais duas associações, ainda sem datas divulgadas.
Na próxima segunda-feira (20), encerra em Flores da Cunha a última etapa do curso realizado em parceria com a Associação dos Produtores dos Vinhos dos Altos Montes. Ao longo de cinco encontros presenciais, os participantes trabalharam hospitalidade, jornada do visitante, comunicação, storytelling e gestão de experiências enoturísticas. Na penúltima aula, realizada nesta semana, a turma desenvolveu uma atividade em grupo sobre como receber diferentes perfis de visitantes, combinando prática com storytelling — ferramenta cada vez mais central no posicionamento de destinos vitivinícolas competitivos.
Para os fundadores da Escola de Enoturismo, Artur Farias, Ivane Fávero e Lucinara Masiero, a premissa da formação é direta. “Antes de ser enoturismo, é turismo. Quando um visitante escolhe uma região do vinho, ele não vive apenas aquilo que acontece dentro da vinícola. Ele se hospeda, se alimenta, circula, compra, encontra pessoas e estabelece diferentes relações com o destino. Qualificar essa cadeia é fundamental para que o crescimento do enoturismo gere valor para os negócios e para o território”, afirmam.
A formação é estruturada em torno dos pilares Origem e Território, Experiência e Comunicação e Negócio, e pode ser adaptada ao perfil de cada associação parceira. Com a expansão para novas regiões, o modelo começa a ganhar escala como referência para a profissionalização do enoturismo em diferentes polos produtores do país.


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