
A vitivinicultura de inverno ganhou um novo respaldo institucional. A Embrapa Cerrados e a Associação Nacional dos Produtores de Vinhos de Inverno, a Anprovin, assinaram durante a Expovitis Brasil 2026, realizada no PAD-DF, em Brasília, um memorando de entendimento para cooperação técnica, científica e de inovação tecnológica voltada ao desenvolvimento do setor.
O acordo prevê projetos conjuntos nas áreas de sustentabilidade e resiliência climática, biotecnologia, bioquímica, inovação digital, sistemas de produção integrados, qualidade enológica, inteligência de mercado e formação de profissionais. Na prática, significa que a pesquisa agropecuária brasileira passa a atuar de forma articulada com os produtores que desenvolveram a técnica da Dupla Poda e consolidaram a vitivinicultura em regiões de clima tropical de altitude, como o Cerrado do Distrito Federal, o interior de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e a Chapada Diamantina, na Bahia.
Para o chefe-geral da Embrapa Cerrados, Jorge Werneck, a parceria representa uma oportunidade de reunir experiências que até agora estavam fragmentadas. “Temos que reunir essas experiências e tentar aplicá-las aqui no Distrito Federal a fim de termos sempre as melhores variedades, práticas e técnicas para que, no final, tenhamos vinhos cada vez melhores. Estamos juntos nesse processo”, afirmou. Werneck lembrou que a Embrapa Cerrados já havia submetido projetos de pesquisa em vitivinicultura em parceria com a Embrapa Uva e Vinho, do Rio Grande do Sul, e que a Embrapa Semiárido, de Pernambuco, também vem atuando no tema no Nordeste.
O presidente da Anprovin, Cláudio Góes, destacou o papel do enoturismo como motor econômico do setor. “O vinho gera a economia de um lugar, principalmente o enoturismo. 80% do mercado de vinho no mundo depende do enoturismo. Não é uma consolação, e sim uma motivação, porque é dali que partem os vinhos e é dali que o consumidor chega até eles”, disse.
Ronaldo Triacca, presidente da Expovitis e produtor do DF, reforçou o significado histórico do acordo. “Temos muito a agradecer à Embrapa e agora estamos novamente juntos nessa atividade, que está nascendo com muita força no Planalto Central”, afirmou.
A Anprovin reúne atualmente 56 vinícolas associadas em estados do Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, com 1,49 milhão de pés de videira e 1,1 milhão de garrafas produzidas na safra 2025, com projeção de crescimento de 15% para 2026 e meta de triplicar a capacidade até 2029. O segmento é dominado por propriedades familiares, que representam 90% das vinícolas associadas, em áreas historicamente ocupadas por café, grãos e pecuária.
A parceria com a Embrapa chega num momento em que o setor ainda aguarda a plena operação de outra estrutura estratégica para o seu desenvolvimento. O Centro de Análises e Pesquisa da Vitivinicultura Brasileira, instalado no PAD-DF e inaugurado pela Anprovin em parceria com a ABDI em março deste ano com investimento de R$ 3,4 milhões, ainda não está em funcionamento pleno. Atrasos na chegada de equipamentos, contratação de recursos humanos e processos de capacitação têm postergado a operação da unidade, que foi projetada para realizar até 400 análises mensais e reduzir em até 50% os custos laboratoriais para produtores das regiões Centro-Oeste, Sudeste e Bahia. Até o momento, não há data definida para o início integral das atividades.
O laboratório é considerado uma peça central para a consolidação técnica do segmento, permitindo que análises físico-químicas e cromatográficas sejam realizadas próximas à produção, sem a necessidade de envio de amostras para outras regiões. Quando estiver em funcionamento, deverá beneficiar não apenas os associados da Anprovin, mas também os mais de duzentos produtores que já operam com a técnica da Dupla Poda fora da associação formal.
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