
Antes de qualquer vinho entrar no equipamento da WineFree, ele precisa chegar com nove parâmetros analisados: estabilidade tartárica por cálcio e potássio, estabilidade proteica, turbidez, teor alcoólico, SO₂ livre, SO₂ total, acidez volátil, acidez total e pH. A lista é a base técnica que permite à empresa garantir o resultado e manter rastreabilidade em cada lote processado.
A WineFree trabalha com um processo dividido em duas etapas distintas. Na primeira, o vinho passa por filtração com membranas de osmose reversa, onde pressão e temperatura são controladas automaticamente para separar apenas a fração hidroalcoólica — água e álcool — do restante do produto. Nenhum composto aromático, nenhum polifenol, nenhuma característica organoléptica sai junto nessa fase. Na segunda etapa, essa fração hidroalcoólica é submetida a destilação a vácuo em temperatura de até 40 graus Celsius. Toda a água vegetal recuperada nesse processo é reincorporada ao vinho original, o que mantém a perda de produto em torno de 15% — basicamente o volume de álcool removido acrescido de uma pequena fração de água de processo.

Roberto Balardin, sócio proprietário e responsável pela operação, conheceu o primeiro equipamento desse tipo em funcionamento em 2024, na França. Em 2025, visitou unidades na Alemanha. Em 2026, acompanhou operações na Itália, Espanha e Chile. A tecnologia chegou ao Brasil consolidada, com histórico de performance internacional que sustenta a promessa de repetitividade e padrão de qualidade que a empresa faz a seus clientes.
Brancos e tintos percorrem o mesmo processo, mas não com o mesmo tempo de elaboração. Vinhos brancos respondem melhor à primeira fase — a separação da fração hidroalcoólica é mais simples por conta da menor carga de compostos. Nos tintos, a cor, os taninos e o corpo do produto exigem mais tempo na osmose reversa antes que o processo avance para a destilação. Produtores que planejam desalcoolizar tintos precisam considerar esse fator no cronograma de envio.
O prazo de entrega, a partir do recebimento do vinho nas instalações, é de até 48 horas. A empresa já opera em regime de atendimento contínuo. Para cooperativas e grandes indústrias, o atendimento é feito diretamente com entrega à WineFree. Para micro e pequenas vinícolas com volume menor, a empresa trabalha com parceiros estratégicos que mantêm bases de vinhos desalcoolizados padronizados, fracionáveis para aquelas que não têm escala ou volume para enviar um lote próprio.
A resistência que o setor ainda apresenta ao processo, segundo Balardin, não é técnica, mas cultural. O vinho sempre foi produzido com álcool, e parte do setor ainda associa a desalcoolização a uma concessão de identidade. O argumento comercial que a empresa apresenta considera os estoques mundiais em níveis historicamente altos, a comercialização no Brasil em 2026 sob pressão depois de uma grande safra, e um consumidor que não consome álcool — ou que reduz seu consumo — e representa um mercado que a cadeia produtiva tradicional ainda não atende. A WineFree se posiciona como o elo que torna esse atendimento possível sem que a vinícola precise investir em equipamento próprio.
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