Pesquisa do IFSC testa técnicas de vinificação para valorizar o perfil sensorial do vinho Goethe

Resultados serão apresentados em encontro técnico em Urussanga no dia 4 de novembro; uva cultivada em apenas 55 hectares no mundo ganhou 25% mais vinícolas regularizadas após conquista da Denominação de Origem
Divulgação/PROGOETHE

 

Cultivada no sul de Santa Catarina, em uma área de 55 hectares — a menor extensão de cultivo de uma variedade vinícola com Denominação de Origem no Brasil —, a uva Goethe é o centro de uma pesquisa do Programa de Mestrado Profissional em Viticultura e Enologia do IFSC Câmpus Urupema que testou três técnicas distintas de vinificação para valorizar as características sensoriais do produto. Os resultados serão apresentados ao setor em encontro técnico aberto no dia 4 de novembro, na Estação Experimental da Epagri em Urussanga.

A pesquisa, orientada pela professora Carolina Panceri, diretora-geral do IFSC Urupema e docente de Enologia, avaliou o impacto da maceração pré-fermentativa a frio, da maceração carbônica e da supraextração na composição química e sensorial do vinho branco Goethe. Segundo Panceri, o estudo responde a uma demanda do próprio setor produtivo. A variedade apresenta desafios que exigem pesquisa aplicada para orientar escolhas de vinificação com base técnica.

A PROGOETHE, associação responsável pela Denominação de Origem dos vinhos da região dos Vales da Uva Goethe, apoia o encontro e acompanha de perto os reflexos regulatórios sobre a cadeia produtiva. Andréa Vargas dos Santos, secretária executiva da associação, aponta que a conquista da DO, em 2025, acelerou o movimento de regularização entre produtores. “Com a Denominação de Origem, houve um aumento de 25% na entrada de novas vinícolas, e mais duas estão em processo de regularização, sendo que uma delas está saindo do sistema artesanal para poder também colocar em seus produtos o selo da DO”, afirma.

O impacto vai além dos números de cadastro. Andréa Vargas relata que o mercado passou a demandar mais os vinhos com o selo da indicação geográfica, com reflexos perceptíveis no enoturismo, na hospedagem e na comercialização local. “A percepção da associação é que houve um aumento no consumo. O mercado passou a comprar mais os vinhos com os selos da DO, um ganho que impactou o desenvolvimento econômico”, diz.

Um dos movimentos mais expressivos do setor em 2026 é a entrada de praticamente todos os produtores na produção de espumantes e frisantes, categoria em que apenas duas vinícolas atuavam no ano anterior. A barreira de entrada, o custo do equipamento de envase, foi contornada com o encaminhamento da produção para envase no Rio Grande do Sul. O próximo passo, segundo a secretária executiva, é viabilizar uma unidade itinerante de envase na própria região, no modelo da Unidade Móvel já operada pelo Consevitis-RS.

O encontro técnico de 4 de novembro, com início às 19h e encerramento às 21h, inclui apresentação dos resultados da pesquisa, espaço para discussão e levantamento de demandas do setor, e degustação dos vinhos experimentais produzidos durante o estudo. O evento é aberto a produtores da uva e do vinho Goethe, pesquisadores, sommeliers, estudantes e vendedores, independentemente de filiação à associação. As inscrições antecipadas podem ser feitas pelo formulário em forms.gle/Sd7hRjzMx9HGJ7h76. Também é possível inscrever-se no local a partir das 19h.

A pesquisa conta com apoio da Epagri Urussanga, que forneceu as uvas para o estudo, e do Laboratório Bioscience do Departamento de Ciência dos Alimentos da UFSC, grupo que investiga a uva e o vinho Goethe há mais de dez anos.

 

Divulgação/PROGOETHE
Divulgação/PROGOETHE

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