
A Wine South America 2026 terminou deixando uma percepção entre compradores, sommeliers, lojistas e profissionais do setor vitivinícola. O vinho brasileiro vive um momento de expansão comercial, mas também de transformação no perfil de consumo, na diversidade de origens e na valorização de novos terroirs.
Mais do que os R$ 120 milhões movimentados em negócios durante os três dias de feira, o que chamou atenção de quem circulou pelos corredores do evento foi o aumento do interesse por rótulos brasileiros fora do eixo tradicional da Serra Gaúcha e a busca por produtos capazes de oferecer diferenciação em cartas, lojas e experiências de consumo.
A presença de vinhos do Cerrado, Vale do São Francisco, Chapada Diamantina e outras regiões emergentes apareceu entre os assuntos mais comentados por compradores e profissionais ligados ao varejo premium e à gastronomia.
Sommelier do Hotel Renaissance, em São Paulo, e do Sheraton Santos, Luís Amaral esteve na feira em busca de novidades para ampliar a presença de vinhos brasileiros nas cartas das duas operações.
“O meu público gosta de vinho diferente. E hoje, quando falamos em vinho diferente, estamos falando também do Brasil. Tem consumidor que nunca tomou um vinho de Brasília ou da Bahia. Isso desperta curiosidade e cria experiência”, afirmou.
Segundo ele, a feira se consolidou como um dos principais momentos do ano para conhecer pequenos produtores, vinícolas boutique e lançamentos nacionais.
“Existem muitos vinhos bons surgindo em diferentes estados. Saio da feira até com dificuldade de selecionar, porque encontrei muito mais opções interessantes do que imaginava”, destacou.

“O vinho nacional evoluiu muito em qualidade. Brasília, Goiás e outras regiões fora do eixo tradicional surpreenderam bastante nesta edição”, afirmou.
Segundo ela, o próprio fluxo turístico nas regiões produtoras vem alterando o comportamento de compra dentro das lojas.
“O público que vem de fora do Rio Grande do Sul procura mais os vinhos brasileiros e regionais, inclusive produtos de maior valor agregado. Isso acaba ampliando o espaço dos rótulos nacionais”, explicou.
A percepção do mercado também aponta para um consumidor mais aberto à descoberta de novas regiões, castas e estilos de vinho, especialmente em operações ligadas à experiência, gastronomia e turismo.
Nos corredores da feira, compradores comentavam o interesse crescente por produtos que consigam entregar identidade regional, exclusividade e narrativa de origem, características cada vez mais valorizadas em restaurantes, hotéis, wine bars e lojas especializadas.
Ao mesmo tempo, a feira reforçou o avanço comercial de regiões produtororas fora do mapa tradicional do vinho brasileiro. Mais de 280 marcas nacionais participaram da edição, representando estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Bahia, Pernambuco, Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo.
A internacionalização da feira também chamou atenção. Itália, Argentina, Chile e Portugal ampliaram presença comercial na edição deste ano, acompanhando o crescimento do mercado brasileiro e a maior profissionalização do consumo no país.
Para muitos participantes, a percepção deixada pela feira é que o vinho brasileiro entra em uma fase mais madura, com expansão de terroirs, fortalecimento do mercado interno e consumidores cada vez mais interessados em diversidade, autenticidade e experiências ligadas ao vinho nacional.

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