
Cento e cinquenta e três amostras de vinhos de mesa, vindas de cerca de 70 vinícolas distribuídas por seis estados, foram avaliadas nos dias 15 e 16 de junho, durante o 4º Concurso Brasileiro de Vinhos de Mesa (CBVM), promovido pela Market Press e pela Vinho Magazine. As degustações aconteceram na Escola de Gastronomia da Universidade de Caxias do Sul (UCS), com apoio da Prefeitura de Flores da Cunha, Consevitis-RS, Embrapa, Fecovinho, Sindivinho-RS e Agavi.
O painel de avaliação foi composto por dez profissionais entre pesquisadores, enólogos, sommeliers e jornalistas. As amostras vieram do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo — um recorte que evidencia a dispersão geográfica de uma categoria que representa a maior parte da produção vinícola nacional, mas que historicamente ocupa posição secundária nos debates do setor.
Para Eduardo Viotti, jornalista e diretor da Market Press, o concurso existe justamente para corrigir essa assimetria. “O Brasil é, ao lado dos EUA, um dos maiores produtores de vinhos de uvas híbridas e americanas do mundo. Mesmo sendo os mais consumidos pelos brasileiros, estes produtos têm sido tratados como secundários, apesar de constituírem a maior parte da produção vinícola do Brasil”, afirma.
Viotti destaca ainda que o CBVM tem dois objetivos complementares: reconhecer o trabalho dos produtores que cultivam uvas americanas e híbridas, cuja participação supera 80% da produção da Serra Gaúcha, e valorizar o avanço da pesquisa em novas variedades desenvolvidas pela Embrapa e outros centros, em Santa Catarina e São Paulo. “Estas novas híbridas têm qualidades aromáticas e de paladar tão boas quanto as uvas viníferas e são mais robustas e adaptadas à nossa climatologia”, acrescenta.
O salto de qualidade dos vinhos de mesa nos últimos anos é perceptível também na produção e no mercado. “Hoje os vinhos de mesa são elaborados com controle de temperatura, com os melhores processos enológicos e tecnológicos disponíveis. Estão sendo vendidos em garrafas de vidro com 750 ml, com rótulos bonitos, com relevo e aplicações metálicas, como os melhores vinhos finos. Percebe-se também investimento em design, e isso valoriza o produto, ganhando destaque no ponto de venda”, observa Viotti.
Do ponto de vista técnico, os vinhos de mesa brasileiros são produzidos majoritariamente com uvas americanas e híbridas como Isabel, Bordô, Concord e Niágara. Nas últimas duas décadas, incorporaram-se as castas desenvolvidas pela Embrapa, como Lorena, Moscato Embrapa, Carmem e Rúbea.
Segundo o pesquisador Giuliano Elias Pereira, da Embrapa, os compostos aromáticos predominantes nos vinhos elaborados com Vitis labrusca são Furaneol, Antranilato de Metila e Aminoacetofenona, responsáveis por notas de morango, framboesa, tutti-fruti, uva fresca, geleia de uva, mel e flores. Nas variedades de perfil moscato, os terpenos Linalol, Geraniol e Nerol conferem aromas de flores brancas, cítricos e ervas frescas.
Os resultados do 4º CBVM serão divulgados em 2 de julho.
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