O enoturismo brasileiro tem crescimento visível, mas carecia de números que o sustentassem. Uma pesquisa inédita realizada pela Escola de Enoturismo começa a preencher essa lacuna. Os primeiros dados, apresentados durante o 1º Fórum de Enoturismo das Américas, em São Paulo, reúnem informações de 51 vinícolas de seis estados, cobrindo Bahia, Distrito Federal, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.
O conjunto dessas 51 vinícolas recebe 1.223.482 visitantes por ano e mantém 834 colaboradores diretamente ligados à atividade. Em média, 34,7% do faturamento das empresas pesquisadas provém do enoturismo. O percentual varia de 1% a 98% entre os participantes, evidenciando modelos de negócio e estágios de desenvolvimento muito distintos. Um padrão, no entanto, se repete: proporcionalmente, o enoturismo tende a representar maior fatia no faturamento das vinícolas menores, enquanto médias e grandes empresas começam a tratar a atividade não apenas como ferramenta de promoção de marca, mas como unidade de negócio com potencial próprio de geração de receita.
O levantamento também mapeou quais profissionais estão fazendo falta nas operações de enoturismo. As respostas apontam dificuldades para encontrar atendentes especializados, inclusive para finais de semana e períodos de maior movimento, profissionais com domínio de inglês e espanhol, lideranças e gestores, equipes para gastronomia e restaurantes. O diagnóstico reforça que o gargalo é de qualificação específica para uma atividade que se tornou mais complexa. As vinícolas deixaram de oferecer apenas visitas e degustações e expandiram para restaurantes, hospedagem, experiências nos vinhedos, eventos e programas personalizados que exigem um perfil profissional diferente do que o mercado disponibiliza.

Para os fundadores, os dados confirmam a urgência da iniciativa. “O enoturismo já é negócio. Quando 51 vinícolas recebem mais de 1,2 milhão de visitantes em um ano e a atividade responde, em média, por mais de um terço do faturamento das empresas pesquisadas, estamos falando de uma atividade econômica que precisa ser olhada também pela perspectiva das pessoas que irão sustentar esse crescimento. O próximo desafio do enoturismo brasileiro é qualificar profissionais para um mercado que está se tornando cada vez mais complexo e estratégico.”
As 51 vinícolas que participaram da primeira amostragem são: Adega Chesini, Almadén, Amana, Bonventi, Cainelli, Casa Perini, Chandon, Cooperativa Aurora, Cooperativa Garibaldi, Cordilheira de Sant’Ana, Courmayeur, Cristofoli, Dal Pizzol, Don Giovanni, Face Norte, Floresta de São Pedro, Foppa & Ambrosi, Franco Italiano, Fritzen, Garbo, Gaudio, Geisse, Góes, Guatambu, Guaspari, Hermann, Larentis, Lemos de Almeida, Leone Di Venezia, L’Origene, Madre Terra, Mena Kaho, Merum, Miolo, Monte Agudo, Monte Chiaro, Paraizo, Peterlongo, Salton, Seival, Serra do Sol, Somacal, Terranova, Terra Nossa, Torcello, Valmarino, Viapiana, Vinha Duarte, Villa Triacca, Vinícola Campestre e Vivalti.
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