Livro analisa por que o vinho custa o que custa no Brasil

Economista e sommelier Mauro Salvo questiona narrativas do setor sobre impostos, importados e poder de compra do consumidor

Um livro essencial para quem produz, trabalha ou quer conhecer mais sobre as questões econômicas do mundo do vinho foi lançado pelo economista e sommelier Mauro Salvo. Trata-se de “Ensaios de Economia do Vinho: Verdades Inconvenientes sobre o Mercado Vitivinícola no Brasil”.

A obra preenche uma lacuna importante na literatura especializada brasileira, discutindo à luz de teorias econômicas temas como preços, custos de produção e distribuição, impostos e poder aquisitivo dos consumidores. Publicações semelhantes são facilmente encontradas nos principais países produtores, como França, Itália, Espanha e Portugal. No Brasil, predominam guias e obras voltadas à degustação e à produção, mas são raros os livros que analisam as questões econômicas e comportamentais da comercialização e do consumo do vinho.

O autor é aficionado por vinhos há mais de 40 anos, auditor do Banco Central e mestre e doutor em Economia pela UFRGS. Natural de São Paulo, reside em Porto Alegre. Ao buscar formação como sommelier, deparou-se com afirmações recorrentes no mundo do vinho e, com seu senso de pesquisador, partiu para avaliá-las criticamente. O livro busca compreender essencialmente por que a garrafa consumida custa o que custa e afastar narrativas simplistas que não explicam os entraves ao crescimento do consumo.

Entre os temas abordados estão a formação de preços, o peso da cadeia de distribuição e varejo, a carga tributária e seu impacto na competitividade, o descaminho e o aumento das importações legais.

Um dos aspectos estudados é a chamada “preferência” do consumidor brasileiro pelos vinhos importados. Salvo defende os consumidores da acusação frequente de preconceito contra o vinho nacional. Por meio da economia comportamental, argumenta que o comprador não rejeita o produto local por capricho, mas responde racionalmente à reputação construída no passado e à assimetria de informações no ponto de venda. Para ele, faltam dados claros nos rótulos e maior comunicação que auxilie uma decisão consciente.

O preço também é abordado como fator estrutural. O autor aponta que apenas 10% da população brasileira ganha mais de R$ 3,5 mil por mês, o que limita a capacidade de compra a uma ou duas garrafas mensais, com valores entre R$ 70 e R$ 100. Nos países com maior consumo per capita, a paridade do poder de compra em relação ao preço do produto é significativamente mais favorável do que no Brasil.

O economista traz ainda uma provocação incômoda: se os impostos sobre o vinho brasileiro fossem zerados hoje, ele realmente ficaria barato? O autor analisa a cadeia de distribuição e o comportamento do varejo para demonstrar que a formação de preços envolve margens e intermediários complexos, sugerindo que a isenção fiscal por si só não resolveria a competitividade. Composto por uma coletânea expandida de artigos, o livro tem como tema central atribuir os problemas crônicos do setor, como o baixo crescimento do consumo per capita, a fatores e lógicas estruturais, sem responsabilizar produtores ou consumidores.

“Ensaios de Economia do Vinho: Verdades Inconvenientes sobre o Mercado Vitivinícola no Brasil” é publicado pela Editora Láurea, tem 178 páginas e pode ser adquirido pela Amazon por R$ 79,90 ou diretamente pela editora.

 

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