Desde 2020, quando episódios severos de granizo destruíram vinhedos e pomares em milhares de propriedades da Serra Gaúcha, o setor vitivinícola gaúcho busca uma solução permanente para proteger as lavouras dos eventos climáticos extremos. Seis anos depois, o sistema antigranizo deu mais um passo concreto. O Conselho do Fundovitis aprovou a destinação de cerca de R$ 3 milhões anuais para custear a manutenção do sistema, recursos que passam a valer a partir de 2027. Com a aprovação financeira, o edital para que os municípios se credenciem ao programa está pronto e aguarda apenas a publicação pelo governo do estado.
Ricardo Pagno, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Agricultores Familiares de Flores da Cunha e Nova Pádua, confirmou o avanço. “O projeto foi aprovado, são R$ 3 milhões e uns quebrados por ano para o governo do estado colocar nesse projeto para ajudar na manutenção do sistema. O edital está pronto e só estamos esperando a publicação por parte do governo do estado para as prefeituras se credenciarem”, afirmou. Pagno adiantou que o governo avalia lançar o edital durante a Expointer, que acontece de 29 de agosto a 6 de setembro em Esteio, ou em evento específico para isso.
Eduardo Piaia, diretor executivo do Consevitis-RS, reforçou o significado da aprovação. “Agora com esta aprovação, deve ser divulgado o edital para os municípios criarem as normativas e se habilitarem aos recursos”, afirmou.
A aprovação dos recursos de manutenção pelo Fundovitis resolve um dos principais pontos de atenção levantados ao longo das discussões: o risco de que o investimento inicial fosse feito sem garantia de continuidade nos anos seguintes. Em maio, a Sicredi Serrana confirmou aporte de mais de R$ 6 milhões para a instalação da estrutura inicial, com cerca de 130 unidades de proteção distribuídas entre os municípios participantes. O modelo prevê geradores em solo que utilizam iodeto de prata para reduzir a formação de granizo antes que as pedras atinjam as lavouras, inspirado no sistema que opera há décadas em Fraiburgo, Santa Catarina. Atualmente, cerca de 15 prefeituras já aderiram formalmente ao projeto, com potencial de chegar a 30 municípios.
A aprovação chega num momento de alerta climático. Com El Niño confirmado com probabilidade de 97% a 99% de permanência até o início de 2027 e intensidade muito forte estimada entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, a primavera que se aproxima traz previsão de chuvas acima da média e maior risco de granizo exatamente no período mais crítico do ciclo produtivo da videira. Os recursos aprovados pelo Fundovitis, no entanto, só entram em vigor a partir de 2027. O edital ainda aguarda publicação e os municípios precisarão criar normativas e se credenciar antes de acessá-los. O sistema não estará operacional para a safra que vem.
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