Vinícolas apostam na Copa do Mundo para aproximar o vinho de novos consumidores

Eventos na Serra Gaúcha e nos Vinhos de Altitude reforçam estratégia que une futebol, gastronomia, enoturismo e experiências para ampliar ocasiões de consumo

 

Quando o assunto é futebol, a cerveja costuma ocupar o centro das comemorações dos brasileiros. Mas a estreia do Brasil na Copa do Mundo de 2026 também está movimentando outro segmento: o do vinho.

Vinícolas de diferentes regiões do Sul do país estão aproveitando o início da competição para criar experiências que unem transmissão dos jogos, gastronomia, música e enoturismo, em uma estratégia que busca ampliar as ocasiões de consumo e aproximar novos públicos do universo do vinho.

A movimentação acompanha uma tendência observada nos últimos anos no setor vitivinícola. Mais do que vender garrafas, vinícolas têm investido em experiências capazes de conectar o vinho a momentos de lazer, convivência e entretenimento, especialmente entre consumidores mais jovens e menos ligados aos rituais tradicionais da bebida.

Na Serra Gaúcha, a Casa Perini promove no dia 13 de junho o Casa Perini World Festival, evento que reunirá transmissão do jogo entre Brasil e Marrocos, gastronomia temática e degustações inspiradas em diferentes países produtores de vinho.

A proposta inclui um circuito enogastronômico com referências ao Brasil, Argentina, Uruguai, Portugal, Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia, combinando rótulos nacionais e importados com pratos típicos de cada região.

Já em Santa Catarina, a Vinícola Grando, em Água Doce, também preparou uma programação especial para acompanhar a estreia da Seleção Brasileira. O espaço receberá o público para assistir à partida em telão, além de oferecer música ao vivo, gastronomia e experiências ligadas ao vinho ao longo do dia.

Embora diferentes em formato, as iniciativas refletem um mesmo movimento de mercado: ampliar o vínculo do consumidor com a bebida por meio de experiências capazes de integrar vinho, turismo, cultura e entretenimento.

A estratégia ganha relevância especialmente nas regiões produtoras do Sul do Brasil, onde as temperaturas mais baixas durante o período da Copa favorecem o consumo de vinhos e espumantes. Ao mesmo tempo, o setor busca ocupar ocasiões tradicionalmente associadas a outras bebidas, criando novas possibilidades de consumo.

O avanço do enoturismo brasileiro também ajuda a explicar essa mudança. Cada vez mais, vinícolas deixam de ser apenas locais de produção para se transformar em destinos de lazer, gastronomia e convivência, ampliando sua relação com o público.

Para a cadeia produtiva da uva e do vinho, iniciativas como essas funcionam não apenas como eventos pontuais, mas como laboratórios de comportamento do consumidor. Elas ajudam a testar formatos, atrair novos públicos e reforçar a presença do vinho em momentos do cotidiano que antes estavam distantes do setor.

Em um mercado cada vez mais competitivo, ampliar ocasiões de consumo tornou-se tão importante quanto conquistar novos consumidores. E a Copa do Mundo surge, neste contexto, como mais uma oportunidade para aproximar o vinho brasileiro de diferentes perfis de público.

 

 

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