Movimento de mulheres ganha espaço na vitivinicultura brasileira e amplia rede de atuação no setor

Iniciativa conecta profissionais de diferentes áreas da cadeia do vinho e reforça debate sobre formação, liderança e protagonismo feminino

 

O crescimento da participação feminina na cadeia produtiva da uva e do vinho tem impulsionado novos movimentos de articulação dentro da vitivinicultura brasileira. Nas últimas semanas, profissionais de diferentes áreas do setor passaram a integrar o movimento Mulheres do Vinho Brasileiro, iniciativa criada para conectar, fortalecer e ampliar a presença feminina em segmentos ligados ao vinho nacional.

O grupo reúne mulheres que atuam em áreas como viticultura, enologia, sommellerie, comunicação, turismo, educação, gestão, comércio e produção rural.

A proposta nasceu a partir da articulação de 11 profissionais do setor: Andréia Debon, Bruna Dachery, Dulce Grippa, Fabiane Veadrigo, Fernanda Spinelli, Graziela Boscato, Júlia Cavicchioni, Janaína Massarotto, Juliana Rossato, Patricia Binz e Sandra Valduga.

Segundo as organizadoras, o movimento busca criar uma rede colaborativa voltada à formação, troca de experiências, geração de oportunidades e fortalecimento da atuação feminina dentro da vitivinicultura brasileira.

A iniciativa acompanha uma transformação observada nos hábitos de consumo do vinho no Brasil. Dados recentes apresentados pela Ideal BI apontam que as mulheres já representam 57% dos chamados “shoppers” do vinho — perfil ligado à decisão de compra dentro das famílias e do varejo.

Apesar do crescimento da presença feminina no consumo e em áreas técnicas do setor, a vitivinicultura ainda mantém forte predominância masculina em espaços estratégicos ligados à gestão, liderança e tomada de decisão.

Para Andréia Debon, uma das fundadoras do movimento, a criação da rede surge justamente diante dessa mudança de cenário.

“As mulheres possuem grande influência no consumo do vinho e na escolha dos produtos dentro das famílias. O objetivo agora é ampliar também o protagonismo feminino nas decisões que envolvem a cadeia da uva e do vinho”, afirma.

Segundo ela, o grupo pretende atuar em diferentes frentes, incluindo formação, qualificação profissional, conexões entre profissionais, intercâmbios, participação em eventos e fortalecimento da presença feminina em atividades nacionais e internacionais ligadas ao setor.

A estruturação da rede também acompanha movimentos semelhantes já consolidados em outros países, como a Le Donne del Vino e iniciativas femininas ligadas ao vinho e à gastronomia nos Estados Unidos e Europa.

O movimento brasileiro possui caráter colaborativo e sem fins lucrativos. A participação é aberta a mulheres de todo o país que possuam atuação ligada ao setor vitivinícola, independentemente da área profissional.

Além da produção e da enologia, o grupo também busca integrar profissionais ligadas ao enoturismo, pesquisa, agricultura, comunicação, comercialização, hospitalidade e experiências relacionadas ao vinho.

Nos bastidores da vitivinicultura brasileira, a ampliação dessas redes também reflete uma transformação maior do setor, impulsionada pelo crescimento do enoturismo, pela diversificação do consumo e pela maior presença de mulheres em cursos, degustações, formação técnica e especializações ligadas ao vinho.

O movimento Mulheres do Vinho Brasileiro já iniciou as primeiras conexões entre profissionais e segue recebendo novas adesões de diferentes regiões produtoras do país.

Mais informações podem ser obtidas pelo Instagram @mulheresdovinhobr e pelo e-mail mulheresdovinhobr@gmail.com.

Link para o formulário: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSeAQcQBAxrruY0NLdqwTdMxhGOuSHV-vqVordLoEExLJ9HEWQ/viewform

 

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