O vinho e o espumante brasileiros ficaram mais caros no mercado norte-americano nesta semana. Duas rodadas consecutivas de tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos em julho de 2026 atingem diretamente as exportações vitivinícolas brasileiras, num momento em que o setor registrava crescimento nas vendas externas e os EUA figuravam entre os destinos estratégicos para espumantes.
A primeira rodada entrou em vigor em 22 de julho e adiciona 25% ao valor dos produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos, incluindo vinhos e espumantes. A medida deriva de uma investigação sobre práticas comerciais do Brasil que envolveu regulação do comércio digital, tributação do etanol e propriedade intelectual. A segunda rodada foi anunciada nesta quinta-feira e passa a valer hoje, 24 de julho: uma sobretaxa adicional de 12,5% que se aplica a uma lista ampla de exportações brasileiras, sob argumento de que o Brasil não teria adotado práticas suficientes contra importação de produtos fabricados com trabalho forçado.
Para os produtos que já foram alcançados pelos 25% da primeira rodada, a nova tarifa se soma, resultando numa alíquota combinada de 37,5% sobre o valor do produto no destino. A Amcham Brasil estima que 85,3% das exportações brasileiras para os EUA na faixa coberta pela nova medida terão esse efeito cumulativo. Para uma vinícola que exporta espumante a US$ 10 por garrafa, o custo adicional nos EUA passa a ser de US$ 3,75 por unidade antes mesmo de qualquer margem do importador ou distribuidor.
O setor vitivinícola brasileiro enfrentará esse cenário num momento de expansão das exportações. O projeto Wines of Brazil registrou US$ 23,8 milhões em exportações no biênio 2024/2025, e os Estados Unidos eram apontados como mercado prioritário para espumantes. Com a tarifa combinada chegando a 37,5%, o produto brasileiro perde competitividade frente a concorrentes de países com tarifas menores ou com acordos comerciais já vigentes com os EUA.
O governo brasileiro anunciou que acionará a Lei da Reciprocidade e levará o caso à Organização Mundial do Comércio, classificando as medidas como arbitrárias. A resposta comercial ainda está sendo desenhada e seu impacto prático sobre as tarifas é incerto.
O cenário se torna ainda mais complexo quando lido ao lado do acordo Mercosul-União Europeia, que entrou em vigor em maio. Enquanto o mercado europeu se abre gradualmente para o vinho brasileiro ao longo de 12 anos, o mercado americano encarece de forma abrupta. Para vinícolas e cooperativas com estratégia de internacionalização, o mapa de mercados prioritários precisará ser revisado à luz desse novo equilíbrio.
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