Quando a Salton chegou à Campanha Gaúcha, uma das primeiras decisões foi reconhecer que as práticas de manejo consolidadas na Serra Gaúcha não funcionariam naquele território. A solução foi instalar experimentos de longa duração para definir, com dados, qual o melhor teor de nutrientes no solo e na folha e qual a dose certa de adubação para aquela região específica. Isso foi em 2011. Em 8 de outubro de 2026, os resultados de 15 anos desses experimentos chegam ao produtor na 3ª edição da Vitrine Tecnológica na Viticultura, na Azienda Domenico, em Santana do Livramento.
O professor Gustavo Brunetto, coordenador do GEPACES da Universidade Federal de Santa Maria e responsável pelos experimentos desde o início, considera o conjunto de pesquisas o mais antigo de vitivinicultura da América Latina. Para ele, o que torna a Vitrine diferente de outros eventos do setor é o fato de que os dados apresentados não são hipóteses ou tendências de mercado, mas resultados obtidos em condições reais, no mesmo solo, ao longo de mais de uma década.
Os temas centrais desta edição respondem a perguntas que circulam no setor sem respaldo científico suficiente. “Todo mundo fala ‘mas é importante colocar nutrientes na água ou não?’. Nós vamos mostrar os resultados”, diz Brunetto. Sobre bioestimulantes, a pesquisa apresentará o efeito dos produtos sozinhos, associados à fertirrigação e combinados com adubação mineral, para que o produtor possa avaliar com dados o que realmente funciona e em quais condições. Um experimento em fase inicial sobre adubação orgânica associada à adubação mineral também será apresentado, especialmente relevante para os solos arenosos da Campanha.
O tema que Brunetto chama de terroir com resultado é outro destaque. “Todo mundo fala em terroir e quase ninguém tem resultado. Vira um sentido amoroso da coisa. Nós vamos mostrar que realmente tem um efeito do solo, do clima para chegar no vinho, e que dentro da mesma propriedade você pode ter um vinho de altíssima qualidade em uma gleba e um vinho de baixa qualidade em outra.” Para o produtor, isso significa que classificar o solo da propriedade não é um detalhe técnico, é uma decisão estratégica com impacto direto na qualidade da uva e do vinho final.
A edição deste ano amplia o formato. Além dos resultados das pesquisas da UFSM e da Universidade Federal do Pampa, e das práticas de manejo apresentadas pela própria Salton, o evento abre espaço para empresas do setor apresentarem tecnologias disponíveis no mercado, de fertilizantes a equipamentos. O encerramento reserva um momento que sintetiza o objetivo do evento: o lançamento de um espumante produzido a partir dos experimentos, para que o produtor perceba na taça o efeito direto das escolhas de adubação e manejo. “Ele olha lá a planta, recebeu tanto de adubação, como é o vinho final. E o produtor sente na boca, experimenta, e ele vê que manejar adequadamente é fundamental.”
A expectativa é reunir 250 participantes, entre técnicos, produtores, estudantes, engenheiros agrônomos, pesquisadores, consultores e empresas do setor, vindos da Campanha Gaúcha e de outras regiões do Brasil, incluindo da Serra Gaúcha. O evento, que é aberto ao público, acontece em 8 de outubro na Azienda Domenico, em Santana do Livramento, Rio Grande do Sul.
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