Wine Free inaugura amanhã em Flores da Cunha o primeiro serviço B2B de desalcoolização de vinhos do Brasil

Com 20 vinícolas já na fila e Salton entre os primeiros clientes, empresa cobra entre R$ 4 e R$ 6 por litro e exige lote mínimo de 5 mil litros para operar

Com R$ 7 milhões investidos, capacidade para processar mais de 1 milhão de litros por ano e pelo menos 20 vinícolas na fila de espera antes mesmo de abrir as portas, a Wine Free inaugura neste sábado (10), em Flores da Cunha, a primeira estrutura especializada em desalcoolização de vinhos e espumantes como serviço para vinícolas no Brasil. O modelo é inteiramente B2B, com a vinícola entregando o vinho pronto, a empresa retirando o álcool e devolvendo o produto acabado para que o produtor siga com engarrafamento, rotulagem e comercialização.

Para o produtor avaliar a viabilidade, Roberto Balardin, diretor de operações da Wine Free, é direto sobre os números. O custo da desalcoolização varia de R$ 4 a R$ 6 por litro, conforme a modalidade contratada, e o lote mínimo é de 5 mil litros. A logística é responsabilidade do cliente, que entrega o vinho na unidade de Flores da Cunha. “Nosso objetivo é oferecer às vinícolas uma estrutura especializada para que elas possam acompanhar esse movimento sem precisar fazer um investimento próprio em tecnologia de desalcoolização”, afirma. Após o processo, o produto retorna filtrado, mas ainda exige correções conforme o perfil que a vinícola quer levar ao mercado antes do engarrafamento.

A tecnologia utilizada é o sistema Libero Wine, da Omnia Technologies, referência internacional em processos para a indústria de bebidas. O equipamento combina osmose reversa de baixa rejeição, destilação a vácuo abaixo de 40 °C, sistema de diálise e automação total do processo, com teor de álcool residual que pode chegar a 0,005% vol/vol. A redução de volume durante o processo é de aproximadamente 15%, dado que as vinícolas precisam considerar no cálculo de custo-benefício. Do ponto de vista legal, o produto final é classificado pelo MAPA como fermentado de uva desalcoolizado, com carga tributária inferior à do vinho convencional.

Entre os clientes confirmados para a primeira operação estão a Vinícola Angelo Luvison e a Salton. Miolo, Valduga, São João, Aliança e Courmayeur estão em prospecção. Balardin detalha o perfil de quem já está na fila. “A grande maioria são vinícolas de médio e grande porte. Temos alguns clientes que farão o processo de desalcoolização em grandes volumes para posterior venda do produto fracionado a vinícolas menores”, explica, indicando que o serviço pode funcionar como um segundo nível de distribuição dentro do próprio setor.

A capacidade instalada de 5 mil litros por dia atende à demanda inicial, mas a empresa já planeja a próxima fase. “Estamos olhando para o futuro e para as novas gerações, que buscam cada vez mais alternativas relacionadas à saúde e à qualidade de vida”, diz Balardin. A estrutura comporta expansão para até 20 mil litros por dia, com possibilidade de ampliação ainda em 2027 se a demanda justificar. O cenário de mercado sustenta a aposta. Dados do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool mostram que o percentual de brasileiros que declararam não consumir bebidas alcoólicas subiu de 55%, em 2023, para 64%, em 2025. A estrutura física fica na Linha 80, em Flores da Cunha.

 

–

Quem acompanha o Portal A Vindima por e-mail terá acesso antecipado a artigos exclusivos sobre os temas mais relevantes da vitivinicultura brasileira! Cadastre-se no campo ‘Receba as notícias por e-mail e fique atualizado’ no final desta página!

Compartilhe:

Deixe um comentário

Linha da Vinícola Aurora mantém Cabernet Sauvignon, Merlot e Chardonnay entre os mais vendidos e expande distribuição para além do...
Com o MMR e o MMR Plus, a JUCLAS apresenta duas tecnologias distintas para gerenciar com precisão o teor alcoólico,...
Programa online de 40 horas começa em 3 de novembro e conecta duas regiões vitivinícolas com histórias e desafios distintos...