
A Wine South America reforça, em Bento Gonçalves, um movimento que vai além da exposição de rótulos e ganha peso como estratégia comercial para a vitivinicultura brasileira. Com rodadas de negócios nacionais e internacionais, a feira amplia conexões entre vinícolas, compradores e importadores em um momento em que distribuição, exportação e posicionamento de mercado ganham centralidade no setor.
Entre os destaques está o Projeto Comprador Nacional, que reunirá cerca de 100 compradores e aproximadamente 150 vinícolas brasileiras em agendas direcionadas de negócios. A proposta é aproximar oferta e demanda de forma qualificada, mas também captar sinais de mercado.
“Quando reunimos produtores e compradores de diferentes regiões, começam a aparecer sinais claros de tendências, seja no perfil de consumo, nos estilos mais procurados ou nas exigências comerciais”, afirma Angélica Brandalise, gestora de projetos da cadeia da uva e do vinho do Sebrae-RS.
A presença de pequenas vinícolas e das indicações geográficas gaúchas também amplia o peso estratégico da feira. Mais do que promoção territorial, o movimento reforça a origem como atributo competitivo e ferramenta de diferenciação comercial.
Para o diretor da Vinícola Don Laurindo, Moisés Brandelli, as rodadas têm papel relevante na abertura de mercado. “Mesmo quando a venda não ocorre na feira, o relacionamento iniciado ali é fundamental para futuras conversões comerciais”, afirma.
A frente internacional ganha força com o Exporta Mais Vinhos, iniciativa do Wines of Brazil em parceria com a ApexBrasil. O projeto conecta vinícolas brasileiras a compradores de mercados estratégicos e reforça a exportação como agenda concreta para o setor.
“Essa conexão entre capacitação e rodadas internacionais foi pensada para transformar preparação em oportunidade real de negócios”, destaca Rafael Romagna, gerente do Wines of Brazil.
Os resultados recentes dão dimensão desse movimento. Em 2025, as vinícolas participantes registraram perspectiva de US$ 265 mil em negócios durante a feira, com projeção de alcançar US$ 640 mil nos 12 meses seguintes.
No eixo internacional, o B2B Connection amplia essa dinâmica ao aproximar compradores brasileiros de vinícolas estrangeiras e reforçar a feira como espaço de inteligência comercial.
Para a argentina Finca Flichman, o modelo agrega valor pela qualidade das conexões. “A iniciativa nos permite acessar contatos que dificilmente conseguiríamos de outra forma”, afirma Florencia Rebudero, gerente de Exportação para a América Latina.
Com mais de 400 marcas expositoras, a Wine South America consolida uma vocação que extrapola a vitrine de produtos. A feira se afirma como ambiente de construção de mercado, onde exportação, reputação e competitividade passam a caminhar juntas para o vinho brasileiro.

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