O Brasil exportou US$ 23,8 milhões em vinhos e espumantes no biênio 2024/2025. Desse montante, a Wines of Brazil aponta que US$ 21 milhões em perspectivas de negócios foram gerados pelas ações do projeto no mesmo período. Os números, apresentados pelo gestor do projeto Rafael Romagna, do Consevitis-RS, revelam a dimensão de uma iniciativa que ainda é pouco conhecida fora do eixo sul do país, mas que já reúne vinícolas do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco e Distrito Federal.

A receptividade do vinho brasileiro nas principais feiras internacionais tem melhorado de forma perceptível. Na Wine Paris 2026, sete vinícolas brasileiras geraram US$ 1,5 milhão em negócios fechados e US$ 3,1 milhões em projeção para os próximos 12 meses. Na ProWein Düsseldorf, também com sete vinícolas, foram 156 contatos comerciais e US$ 650 mil em projeção de novos negócios. Romagna destaca que a Masterclass sobre vinhos brasileiros realizada durante a ProWein foi uma das únicas com fila de espera. Um sinal concreto desse reconhecimento foi o interesse espontâneo de Tim Atkin, Master of Wine e referência global em comunicação de vinhos, em escrever sobre o vinho brasileiro. “Chegar até eles não era simples, uma vez que ocupavam posição de destaque como referência em comunicação internacional.”, admite o gestor.
O principal obstáculo segue sendo a precificação. “Até que o mundo não nos note e perceba que de fato a gente tem produtos de qualidade que valem o que está sendo vendido, a gente não vai conseguir suprir esse obstáculo”, avalia Romagna. Os mercados-alvo para espumante são Estados Unidos, China e Reino Unido. Para vinhos em geral, a aposta recai sobre China, Reino Unido e Paraguai. Para sucos de uva, o foco está na Ásia, especialmente China e Japão.
Qualquer vinícola brasileira pode participar do projeto, independentemente de porte ou região. O modelo atual prevê mensalidades, mas isso deve mudar no próximo convênio. “A tendência é que a mensalidade deixe de ser cobrada e seja substituída por uma contribuição simbólica vinculada à participação em cada ação”, antecipa Romagna. A lógica é garantir comprometimento sem criar barreiras financeiras. Em troca, as vinícolas associadas têm acesso a feiras internacionais, ao projeto Comprador, que traz importadores ao Brasil para rodadas de negócios e visitas técnicas nas regiões produtoras, ao projeto imagem, que trabalha a presença do vinho brasileiro na mídia especializada internacional, e a ações de capacitação como o MPE, Minha Primeira Exportação, voltado especialmente a empresas que nunca atuaram no mercado externo. A contrapartida das vinícolas nas feiras se limita aos custos de viagem, hospedagem e alimentação dos representantes. O restante é coberto pelo convênio.
Romagna aponta dois entraves principais para ampliar a participação de produtores de outras regiões. O primeiro é o desconhecimento do projeto fora do Sul, onde cerca de 75% das 57 vinícolas associadas estão concentradas por razões históricas. O segundo é mais estrutural, a dificuldade das vinícolas, especialmente as menores, de manter uma estrutura dedicada ao mercado internacional. ” A ausência de uma área voltada ao comércio exterior acaba sobrecarregando a empresa, que, apesar de conhecer o projeto, muitas vezes não consegue atender às demandas necessárias.”, alerta. Para o próximo convênio, a educação e a capacitação interna das vinícolas entram como pilar central, ao lado do fomento direto às exportações de vinho, suco de uva integral e espumante sem álcool, que surge como aposta para o cenário atual de consumo.
O objetivo de longo prazo, resume Romagna, é claro e ambicioso. ” A visão de longo prazo é posicionar o Brasil como uma referência mundial na produção de vinhos de qualidade nos próximos cinco anos.”
Vinícolas interessadas em participar do Wines of Brazil podem entrar em contato pelo e-mail info@winesofbrazil.com.br.
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