
A 33ª Avaliação Nacional de Vinhos – Safra 2025 consolidou um marco para a vitivinicultura brasileira ao ampliar o mapa de excelência para além do berço histórico do setor. Pela primeira vez, três das 16 amostras mais representativas não são do Rio Grande do Sul, evidenciando a ascensão de São Paulo (São Roque) e do Distrito Federal (Brasília) ao lado de referências da Serra Gaúcha, Campanha Gaúcha e Campos de Cima da Serra. O resultado reflete investimento técnico, leitura de terroir e gestão de qualidade em múltiplas origens, sintonizado com a demanda por vinhos diversos e consistentes.

No recorte técnico da safra, 15 variedades figuraram entre as 16 amostras, com notas medianas entre 90 e 95 pontos na Degustação de Seleção (às cegas), conduzida por 90 enólogos sob normas internacionalmente reconhecidas. Cerca de 800 apreciadores acompanharam a apresentação simultânea no Parque de Eventos de Bento Gonçalves (RS), mediada por um painel plural de comentaristas do Brasil, África do Sul, Chile, Espanha, Itália, México, Portugal e Uruguai.
A pluralidade dos vinho brasileiro foi valorizada pelo painel de comentaristas com ênfase em identidade, frescor e precisão aromática. Representaram o setor nacional os enólogos André Donatti e Giovani Giotto, o deputado estadual Guilherme Pasin, a presidente do Sindvinho-MG, Heloísa Bertoli, os jornalistas Elói Zorzetto e Stêvão Limana, o executivo Julio Carlos Ziegelmann e o ator Juan Alba.
“Amigável, elegante, equilibrado”, definiu Elói Zorzetto ao comentar o Marselan da Villa Triacca Hotel Vinícola & Spa (Brasília/DF). “Difícil é dar um gole só”, brincou o ator Juan Alba ao degustar o Merlot da Vinícola Cerro de Pedra (Candiota/RS).
Entre os comentaristas estrangeiros, estiveram representantes de Portugal, Espanha, África do Sul, Itália, México, Uruguai e Chile, reforçando o caráter internacional da Avaliação.
Ao avaliar o Riesling Itálico da Vinícola Gaio (Flores da Cunha/RS), Jesús Enrique de Las Heras Roger, diretor da Cátedra de Agroturismo y Enoturismo de Canarias, destacou:
“Delicado, possui frescor e um grande potencial. O vinho não grita, ele sussurra. É alegre, sem excessos.”
Da África do Sul, o doutor em Biotecnologia do Vinho Adriaan Oelofse comentou sobre o Sauvignon Blanc da Vinícola Philosophia (São Roque/SP):
“Vinho vibrante, com senso de identidade do brasileiro no vinho.”
O italiano Vittorino Novello, pós-doutor em Viticultura e Enologia, surpreendeu-se com o Rebo da Vinícola Campestre (Vacaria/RS):
“Mais uma variedade para os brasileiros se tornarem especialistas, já que a Itália não aproveitou tão bem essa casta.”
De Brasília, o engenheiro agrônomo e enólogo Felipe de Solminihac, do Chile, elogiou o corte Cabernet Franc/Syrah/Marselan da Vinícola Ercoara:
“Frutas frescas que convidam a beber o vinho.”
Reconhecimento do setor
A ABE também celebrou contribuições institucionais e técnicas com o Troféu Vitis 2025:
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Amigo do Vinho Brasileiro: deputado estadual Guilherme Pasin, pelo apoio a políticas públicas setoriais.
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Enológico: Ademir Brandelli, enólogo e ex-presidente da ABE, fundador da Vinícola Don Laurindo, pelo legado técnico e institucional ao Vale dos Vinhedos e ao vinho brasileiro.
Performance da safra
Das 533 amostras recebidas de 76 vinícolas, 30% avançaram na Degustação de Seleção conduzida por 90 enólogos na Avaliação da Safra 2025. O recorte evidencia maturidade agronômica, precisão enológica e leitura de terroir, com amplitude que vai de bases para espumante a tintos estruturados, passando por brancos aromáticos e não aromáticos, rosés e varietais menos usuais no mercado brasileiro.
Rio Grande do Sul — Mantendo a liderança em volume e diversidade, o RS concentrou a maior parte das amostras selecionadas. Entre as vinícolas e variedades: Batalha (Tannat), Boscato (Cabernet Franc), Casa Perini (Chardonnay; Vermentino; Moscato Branco; Sauvignon Blanc; Chardonnay não arom.; Pinot Noir — rosé e tinto jovem; Marselan), Casa Valduga (Chardonnay; Pinot Noir; cortes de base; Merlot; Merlot/Marselan), Casa Venturini (Chardonnay), Casa Vitor (Marselan; Syrah), Chandon Brasil (Chardonnay; Pinot Noir — bases), Cooperativa Vinícola Aurora (Moscato Giallo; Chardonnay; Merlot — rosé e tinto jovem; Cabernet Sauvignon; Tannat), Cooperativa Vinícola Garibaldi (bases de Chardonnay; Sauvignon Blanc; Chardonnay; rosés de Merlot e Pinot Noir), Cooperativa Vinícola São João (Moscato Giallo; Chardonnay), Don Giovanni (bases Chardonnay/Pinot Noir), Hermann (Chardonnay base; Pinot Noir base rosé), Maison Forestier (Chardonnay), NOVA (base Chardonnay/Pinot Noir; Pinot Gris; Cabernet Sauvignon; Tannat; corte Cabernet Sauvignon/Tannat), Pizzato (Alicante Bouschet; Cabernet Franc), Ponto Nero (Chardonnay base), Rar (Merlot), Seganfredo (Cabernet Sauvignon), Vaccaro & Cia (Chardonnay; Teroldego), Vinhos Casacorba (Chardonnay base; Cabernet Franc rosé; Tannat), Vinhos Don Laurindo (Cabernet Sauvignon; Merlot; Tannat; corte Merlot/Cabernet Franc/Cabernet Sauvignon), Vinhos Hortência (Moscato Giallo; corte tinto com Cabernet Franc/Ancellotta/Cabernet Sauvignon/Marselan), Vinhos Larentis (Cabernet Sauvignon), Vinhos Monte Reale (rosés de Cabernet Franc/Petit Syrah; Ancellotta; Arinarnoa; Tannat; Teroldego), Vinícola Almadén (Chardonnay; Cabernet Franc), Vinícola Almaúnica (Cabernet Sauvignon; Merlot; corte Merlot/Cabernet Franc/Cabernet Sauvignon), Vinícola Bebber (rosé Malbec/Marselan), Vinícola Campestre (Sauvignon Blanc; Chardonnay; Merlot rosé; Pinot Noir jovem; Rebo jovem e tinto), Casa Bruxel (Sauvignon Blanc), Casa Soncini (Syrah rosé e tinto; corte Syrah/Tannat), Cerro de Pedra (Merlot), Don Guerino (Chardonnay; Malbec rosé e tinto; Cabernet Franc; Merlot; Teroldego), Vinícola dos Plátanos (Chardonnay; Cabernet Franc; Merlot), Família Lemos de Almeida (base Chardonnay; Chardonnay não aromático), Gaio (Riesling Itálico), Gazzaro (Chardonnay), Geisse (múltiplas bases Chardonnay/Pinot Noir e Pinot Noir), Giacomin (Merlot rosé), Grutinha (Moscato Giallo; Tannat), Madre Terra (Tannat), Miolo (bases Pinot Noir/Chardonnay; Sauvignon Blanc; Chardonnay; Pinot Gris; Pinot Noir jovem; Cabernet Sauvignon; Tempranillo; cortes tintos com Touriga Nacional, Tannat, Petit Verdot, Merlot, Tempranillo e Cabernet Sauvignon), Salvattore (Alicante Bouschet), Valmarino (Chardonnay; Cabernet Franc; Cabernet Sauvignon; Marselan), Vitivinícola Jolimont (Cabernet Sauvignon; Tannat; Teroldego) e Vivalti (Sauvignon Blanc).
Distrito Federal (Brasília/Planaltina) — O Planalto Central confirmou a vocação para tintos de clima mais seco e alta insolação. Selecionadas: Villa Triacca Hotel Vinícola & Spa (Cabernet Franc; Marselan; Syrah), Vinícola Brasília (Cabernet Franc; múltiplos Syrah) e Vinícola Ercoara (corte Cabernet Franc/Syrah/Marselan).
São Paulo (São Roque) — A Vinícola Philosophia | Grupo Góes emplacou Sauvignon Blanc entre os brancos aromáticos, reforçando a tendência paulista de brancos vibrantes com precisão aromática.
Minas Gerais (Sul de MG/Andradas) — Presenças de Alma Gerais (Sauvignon Blanc) e Casa Geraldo (Sauvignon Blanc; Shiraz/Cabernet Franc rosé; Malbec), consolidando brancos aromáticos de boa definição e rosés de apelo gastronômico.
Bahia (Vale do São Francisco) — A Vinícola Terranova (Miolo Wine Group) levou três Syrah na seleção, ratificando a adaptação da cepa ao regime semiárido irrigado do Submédio São Francisco, com maturação fenólica consistente e fruta solar.
Espírito Santo (Santa Teresa) – Cantina Mattiello (Tannat; Tannat/Merlot).






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