Flores da Cunha sedia a Abertura Nacional da Colheita da Uva e reforça protagonismo da vitivinicultura brasileira

Município da Serra Gaúcha recebeu autoridades e entidades do setor; Projeto de Lei nº 4.469/2025 propõe o título de Capital Nacional da Vindima

A vitivinicultura brasileira deu início oficial à safra com a Abertura Nacional da Colheita da Uva, realizada no dia 20 de janeiro, em Flores da Cunha (RS). O evento, promovido pelo Governo do Rio Grande do Sul e pela Prefeitura de Flores da Cunha, reuniu representantes das principais entidades da cadeia produtiva da uva e do vinho, autoridades municipais, estaduais e federais, consolidando o município como um dos principais polos da vitivinicultura nacional.

A solenidade ocorreu no Centro de Eventos da Vinícola Luiz Argenta e marcou, simbolicamente, o início da colheita da uva em todo o Brasil. A escolha de Flores da Cunha para sediar a abertura nacional ocorre em um momento estratégico, em que tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei nº 4.469/2025, que propõe o reconhecimento do município como Capital Nacional da Vindima, em razão do expressivo volume de uvas colhidas e processadas em uma única safra.

Embora a colheita da uva ocorra em diferentes períodos e regiões do país — da Serra Gaúcha ao Vale do São Francisco, passando por Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro —, a realização de uma abertura nacional busca dar visibilidade institucional à uva como matéria-prima e aos produtos dela derivados, como vinhos, espumantes e suco de uva, além de fortalecer o enoturismo como vetor de desenvolvimento regional.

A presença de entidades como Consevitis-RS, ABS-RS, ABE, Fecovinho-RS, Sindivinho-RS, AGAVI, sindicatos, cooperativas e associações setoriais, além de prefeitos da Serra Gaúcha, deputados estaduais e federais, secretários de Estado e do senador Luis Carlos Heinze, evidenciou o peso político e econômico do evento para o setor vitivinícola brasileiro.

Produção gaúcha cresce

De acordo com dados da Emater/RS-Ascar, a produtividade da safra de uva 2025/2026 no Rio Grande do Sul pode alcançar 905.201 toneladas, representando um crescimento de 10% em relação à safra anterior. O avanço reflete a recuperação produtiva, a evolução técnica no manejo dos vinhedos e as condições climáticas favoráveis registradas até o momento.

Flores da Cunha concentra parte significativa desse volume. Em 2025, o município produziu cerca de 121 milhões de quilos de uva para industrialização, enquanto as indústrias locais processaram aproximadamente 260 milhões de quilos, provenientes também de outros municípios. O volume resultou na produção de mais de 85 milhões de litros de vinhos, espumantes e sucos, consolidando a cidade como a maior vindima do Brasil em uma única safra.

Capital Nacional da Vindima

O PL nº 4.469/2025, de autoria do deputado federal Afonso Hamm, propõe oficializar Flores da Cunha como Capital Nacional da Vindima, reconhecimento que ultrapassa o simbolismo local. A iniciativa busca posicionar o Brasil no cenário interno e externo como país produtor de uvas e derivados com identidade própria, história e escala produtiva.

Para o setor, a criação de uma capital nacional pode ampliar a percepção do consumidor brasileiro sobre a origem dos produtos, estimular políticas públicas específicas, fortalecer o enoturismo e contribuir para a valorização da uva como produto agrícola, cultural e econômico.

Durante o evento, o empresário Deunir Argenta destacou o papel histórico do município. “Flores da Cunha reúne características únicas: é o maior produtor de uvas e vinhos do Brasil e foi aqui que se iniciou o cultivo de uvas viníferas no país. Esse reconhecimento é justo e necessário”, afirmou.

Competitividade e política agrícola

Além do caráter celebrativo, a Abertura Nacional da Colheita da Uva também foi espaço para reflexão sobre os desafios estruturais do setor. Temas como reforma tributária, acordo Mercosul–União Europeia, competitividade do produto nacional e políticas de apoio à agricultura estiveram no centro dos debates.

O vice-presidente do Consevitis-RS, Daniel Panizzi, ressaltou a importância da união setorial. “O vinho precisa ser tratado como alimento, como patrimônio cultural e como vetor de desenvolvimento econômico. O enoturismo mostra isso na prática, gerando renda, empregos e identidade para as regiões produtoras”, afirmou.

Resiliência e futuro da vitivinicultura brasileira

O evento também destacou a resiliência do setor, especialmente após adversidades climáticas recentes. No final de 2025, um tornado atingiu Flores da Cunha e causou danos em mais de 70 hectares de parreirais. A rápida mobilização de produtores e municípios vizinhos permitiu a recuperação das áreas, mantendo as perspectivas positivas para a safra 2026.

Para o prefeito César Ulian, a abertura nacional e o projeto de lei representam mais do que um título. “Quando valorizamos a nossa gente, a nossa produção e a nossa história, todos ganham. Flores da Cunha se coloca como vitrine da vitivinicultura brasileira, sem competir, mas somando com outras regiões produtoras do país”, afirmou.

 

Abertura Nacional da Vindima nas videiras da Vinícola Luiz Argenta, com o casarão histórico ao fundo, símbolo da tradição vitivinícola de Flores da Cunha. Foto: Carlos Paviani

 

 

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