Espanha, França e Itália formalizaram uma frente comum durante o encontro anual do Grupo de Contato realizado em Irouléguy, no País Basco francês. O encontro reuniu as principais organizações vitivinícolas dos três países para exigir da Comissão Europeia que o vinho seja tratado como prioridade estratégica na próxima Política Agrícola Comum.
O diagnóstico compartilhado pelos participantes foi extenso e coincidente. Mudanças climáticas comprometendo safras, desaceleração do consumo mundial, instabilidade nos mercados de exportação, tensões geopolíticas e aumento dos custos de produção formam o cenário que motivou a aliança. A todos esses fatores soma-se a burocracia, que as organizações apontam como barreira crescente à competitividade das empresas do setor.
O ponto central da reivindicação é financeiro. As organizações exigem que o orçamento da PAC destinado ao setor vitivinícola não seja reduzido e que as ajudas continuem sendo financiadas integralmente pela União Europeia, sem transferir parte da responsabilidade para os governos nacionais. Se cada país precisar cofinanciar uma parcela do apoio ao setor, surgem assimetrias entre os membros, fragmentando o mercado interno e enfraquecendo o conjunto da vitivinicultura europeia.
“A Política Agrícola Comum deve seguir sendo uma ferramenta que permita acompanhar estas mudanças indispensáveis. O setor deve dispor de recursos suficientes e específicos”, afirmam as organizações no comunicado conjunto. Os mecanismos do chamado pacote do vinho, que inclui orçamento específico, medidas elegíveis e percentuais de cofinanciamento europeu, devem ser mantidos e integrados à nova PAC antes que outras soluções sejam consideradas.
A questão do consumo também entrou no comunicado. Num momento em que políticas de saúde pública avançam sobre o setor em toda a Europa, as organizações reafirmam que o vinho, consumido com moderação, é compatível com um estilo de vida saudável, e pedem que os governos dos três países atuem tanto no combate ao consumo excessivo de álcool quanto na promoção do consumo responsável de vinho. O posicionamento reflete a tensão crescente entre regulação sanitária e defesa de um produto com forte identidade cultural e econômica nos territórios produtores.
A aliança reúne peso considerável. Pela Espanha participaram nove organizações, entre elas a Federação Espanhola do Vinho, a Organização Interprofissional do Vinho de Espanha e cooperativas agroalimentares. A França foi representada por sete entidades, incluindo viticultores cooperativos e independentes. A Itália enviou dez organizações, entre elas Federdoc, Federvini, Coldiretti e Assoenologi. O conjunto representa a maior parte da produção e exportação de vinhos do continente.
Para o setor vitivinícola brasileiro, o movimento europeu tem implicações diretas. Com o acordo Mercosul-União Europeia, qualquer alteração no suporte público europeu ao setor pode afetar preços, volumes exportados e estratégias de posicionamento dos vinhos europeus no mercado brasileiro.
–
Quem acompanha o Portal A Vindima por e-mail terá acesso antecipado a artigos exclusivos sobre os temas mais relevantes da vitivinicultura brasileira! Cadastre-se no campo ‘Receba as notícias por e-mail e fique atualizado’ no final desta página!

